AP Photo/Alex Gomes/O Povo
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Moro prorroga por mais 30 dias presença da Força Nacional no CE após pedido de governador

Secretário nacional de Segurança Pública havia dito que tropa seria retirada do Estado diante de uma avaliação de que a onda de ataques promovidos por facções criminosas havia sido debelada

Juliana Diógenes, O Estado de S.Paulo

08 de fevereiro de 2019 | 11h53

Três dias após o governo federal anunciar o início da saída dos homens da Força Nacional de Segurança Pública em atuação no Ceará, o ministro da Justiça e Segurança Pública, Sergio Moro, reavaliou a decisão e informou a permanência da tropa por mais 30 dias. Além da renovação, a pasta informou ainda que será feito um plano de desmobilização gradual. 

Mais de 400 homens da Força Nacional estão no Ceará há um mês em apoio apoio às forças de segurança do estado no combate à onda de violência das faccções criminosas do Estado. A tropa faz principalmente no patrulhamento de vias, terminais de ônibus e ações de inteligência em integração com as polícias locais.

Não foi divulgado o cronograma da retirada gradativa dos homens. O Ministério informou somente que vai seguir avaliação da Secretaria Nacional de Segurança Pública. "Caso haja retomada na gravidade e número de incidentes, a FNSP estará pronta para retomar atividades com intensidade necessária no estado", informou em nota a pasta.

"Em ofício enviado ao governador Camilo Santana, o ministro Sergio Moro ressalta que a atuação da Força Nacional em conjunto com as forças de segurança estaduais promoveu uma redução das ações causadas pelos grupos criminosos, restaurando a lei, a ordem e protegendo a população cearense", disse o Minitério.

Nesta quinta-feira, 8, o governador Camilo Santana (PT) disse que Moro reavaliaria a retirada dos homens. O petista afirmou ainda que foi "surpreendido com a notícia pela imprensa" da saída das forças nacionais de segurança em atuação no Estado. 

A renovação foi solicitada pelo governo do Ceará em 27 de janeiro. No dia 5, o secretário nacional de Segurança Pública, general Guilherme Theophilo, informou que a tropa seria retirada do Estado diante de uma avaliação feita em conjunto com o governo estadual de que a onda de ataques promovidos por facções criminosas havia sido debelada.

Theophilo anunciou que, a partir do próximo mês, uma parte das tropas da Força Nacional seria deslocada ao Pará para atuar a pedido do governo local na segurança pública.

"Entrei em contato com o próprio ministro. Ele me garantiu que ia reavaliar, que na verdade não ia ser uma saída imediata, ia ser uma saída progressiva. Uma parte sairia esta semana e a outra parte só daqui a 30 dias", afirmou Santana nesta quinta, durante evento em Fortaleza. "Mas solicitei que reavaliasse, que permanecesse toda a tropa durante os próximos 30 dias aqui no Ceará".

Segundo ele, a presença de 408 homens da Força Nacional no Estado tem poder simbólico. "É mais por precaução."

Pelos dados da Força Nacional, houve 442 ataques entre 2 de janeiro e 31 de janeiro e mais de 446 pessoas foram presas. Entre os dias 1º de fevereiro e 4 de fevereiro, houve apenas um ataque.

Pará tenta frear criminalidade na capital

Em outra frente, a pedido do governador do Pará, Helder Barbalho (PSDB), a Força Nacional de Segurança Pública enviará tropas para a capital Belém. O número inicial é de 200 homens. A justificativa informada pelo governo estadual é o alto índice de criminalidade na capital.

O chefe da Força Nacional, o coronel da Polícia Militar Aginaldo de Oliveira, disse que está sendo feito no momento um estudo sobre como vai ser feita atuação em conjunto com o estado, mas que até o dia 15 de março já haverá homens. A atuação deverá ser dividida em 6 regiões diferentes da capital paraense.

Segundo o chefe da Senasp, Guilherme Theophilo, não há no momento pedido de envio de tropas a nenhum outro Estado.

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