Morre 2ª vítima de vazamento de gás

Keilua Baisotti, de 5 anos, estava internada desde sábado, quando ela e a irmã foram intoxicadas

Pedro Dantas, RIO, O Estadao de S.Paulo

07 Agosto 2024 | 00h00

Morreu ontem a segunda vítima do vazamento de gás no apart-hotel Barra Beach, na Barra da Tijuca, zona oeste do Rio. Keilua Baisotti, de 5 anos, estava internada desde sábado quando ela e a irmã Kaway Baisotti, de 12 anos, foram intoxicadas durante o banho. Kaway morreu no mesmo dia.Indignada, a mãe das meninas, a tradutora Conceição Gonçalves, lembrou do caso do menino João Hélio Fernandes, de 6 anos, que morreu em fevereiro no Rio preso ao cinto de segurança do carro da mãe, roubado por bandidos. "A vida aqui (no Brasil) é assim. Como diz um ditado italiano: dê por descontado. Até falo que, em uma cidade onde crianças morrem arrastadas e o índice de mortes por balas perdidas é alto, a maneira como minhas filhas faleceram foi um privilégio."Conceição morava com Kaway e Keilua em Brescia, na Itália. Estava lá quando as filhas morreram no flat alugado pelo namorado da tradutora, o contabilista Antônio José Dutra. A polícia chegou a suspeitar de Dutra, mas depois o inocentou. A mãe contou que já estava transtornada com a morte da primogênita e as suspeitas da polícia sobre o namorado. "Espero que a polícia use com os culpados a mesma rigidez com que agiu com ele, que é inocente."O laudo preliminar do Instituto de Criminalística já confirmou que a morte de Kaway ocorreu por intoxicação. O laudo oficial sairá em até 25 dias.Hoje, a polícia ouvirá o dono do apartamento e os sócios da imobiliária que alugava o imóvel. O proprietário já declarou que nunca foi informado sobre qualquer vazamento pela imobiliária que administrava o imóvel, a Sol da Barra. A empresa informou que só vai se pronunciar após o fim do inquérito."Perder duas filhas na mesma semana é demais. Esta história não pode terminar aqui", disse o pai das crianças, o italiano Marco Baisotti. Após a morte de Keilua, ele disse estar em contato com advogados italianos e brasileiros para estudar processo contra os responsáveis.O advogado Márcio Florindo, que representa Conceição, não descartou a hipótese de processo contra nenhuma das partes investigadas. "A Companhia Estadual de Gás (CEG) tem autonomia para embargar a instalação do aquecedor. Isso é responsabilidade da companhia. Os equipamentos (de ventilação e os aquecedores) devem ser vistoriados pelo condomínio e pela estatal para que funcionem adequadamente." Em nota, a CEG informou que nenhum vazamento foi detectado na perícia feita pelo Instituto de Criminalística e cabe aos proprietários dos imóveis a manutenção dos equipamentos internos de gás. A mãe das crianças declarou que, além do inquérito criminal, vai abrir ação civil contra os responsáveis apontados pela polícia. Ela não foi procurada pela CEG nem por representantes do condomínio ou da imobiliária.Conceição planejava voltar em 3 de setembro com as filhas para Brescia. "Perdi o norte e a razão da minha vida. Ainda não tive cabeça para pensar se fico ou volto para a Itália."

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