Arquivo Pessoal
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Morre aos 63 anos o professor da USP Saulo Rabello Maciel de Barros

Apaixonado pela Matemática e entusiasta da educação, Barros deixa mulher e quatro filhos

Marianna Gualter, O Estado de S. Paulo

15 de julho de 2021 | 05h00

O respeito pelo professor Saulo Rabello Maciel de Barros é unanimidade entre todos os que o conheciam. Descrito pelos parentes e colegas como um homem de perfil conciliador, simples e discreto, era também dono de uma personalidade forte, apaixonado pela Matemática e um entusiasta da liberdade de pensamento. Barros morreu no domingo, 11, em São Paulo, aos 63 anos, em decorrência de um infarto. 

A dedicação aos estudos foi constante ao longo da vida. “Sempre gostou muito de estudar, daquele que faz o irmão mais novo sofrer”, conta em tom bem humorado o irmão Rubem Barros, jornalista e editor. A dupla tem como irmã mais velha a professora Angela Tamberlini, da Universidade Federal Fluminense (UFF). 

Saulo era o filho do meio do intelectual Roque Spencer Maciel de Barros, editorialista do jornal O Estado de S. Paulo, e da professora Maria da Conceição de Jacobina Rabello Maciel de Barros. Aos 17 anos, entrou na Escola Politécnica da Universidade de São Paulo (Poli-USP). A passagem foi breve, logo mudou de curso e foi atrás do que seria sua verdadeira vocação, a Matemática. Tornou-se mestre em Matemática Aplicada pela USP (1984) e doutor pela Universidade de Bonn (1989), na Alemanha. 

O tempo pela Poli foi importante para encontrar a companheira de vida. Ao lado da engenheira Karin-Anne Van de Bilt, Barros construiu um casamento duradouro e próspero. Da união nasceram os quatro filhos - Guilherme, Tiago, Marina e Danilo - e, mais recentemente, a neta Luísa, de 6 anos. 

Com um currículo robusto, lecionava na universidade há cerca de 30 anos. Neste período, ocupou diversas posições de coordenação, entre elas a chefia dos cursos de Matemática Aplicada e Ciências Moleculares. Ao longo da carreira, conduziu estudos com ênfase em análise numérica e realizou contribuições valorosas nos campos de paralelismo e computação de alto desempenho para modelos meteorológicos. 

Foi pesquisador visitante, durante os anos 90, do Centro Europeu de Previsões Meteorológicas de Médio Prazo (ECMWF, na sigla em inglês), na Inglaterra. Atualmente era professor associado do departamento de Matemática Aplicada do Instituto de Matemática e Estatística (IME) da USP. E atuava como colaborador do Centro de Previsão do Tempo e Estudos Climáticos (CPTEC), do Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (INPE). 

“Era um cara de peso científico grande e ao mesmo tempo carinhoso. Gostava dos alunos, dos amigos, das crianças. Era uma pessoa muito querida”, descreve o amigo e colega de trabalho, Clodoaldo Grotta Ragazzo, também professor do IME e antigo diretor do instituto. “Quase 95% das vezes que eu tinha um problema com algum aluno ou professor, adivinha para quem que eu ligava? Para ele.” 

Barros nutria amor pelos esportes. No futebol, o São Paulo era o time do coração. O tênis também ocupava um lugar especial. Foi justamente na volta às quadras, ao lado dos filhos, após o afastamento causado pelo isolamento em decorrência da pandemia da covid-19, que Saulo faleceu. 

“Será lembrado como um professor. Um cara que batalhou para que a Matemática fosse cada vez mais disseminada na sociedade através de pessoas capacitadas”, afirma o irmão Rubem. “Do ponto de vista pessoal, é alguém que fez o que queria fazer e o que acreditava. Não fazia por onda ou para ir junto com a corrente. Tinha sua posição e coerência ética e intelectual. Sempre buscou ter coerência durante toda a vida.”

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