Morre bebê de 11 meses resgatado de escombros de prédio em Aracaju

Criança foi retirada com vida dos escombros, ao lado dos pais e da irmã de 8 anos, mas não resistiu a uma parada respiratória

Antônio Carlos Garcia, Especial para o Estado de S.Paulo

20 de julho de 2014 | 13h37

Atualizada às 21h19

ARACAJU - O bebê Ítalo Miguel, de 11 meses, morreu neste domingo, 20, depois de ter sido resgatado pelo Corpo de Bombeiros dos escombros do prédio de quatro andares que desabou na zona sul de Aracaju, na madrugada de sábado, 20. Ele era filho do servente de pedreiro Josevaldo da Silva, de 24 anos, que foi resgatado junto com a mulher, Vanice de Jesus, de 31 anos, e a filha do casal, Ane Gabriele, de 8. O resgate durou 34 horas.

Segundo a major do Corpo de Bombeiros Maria Souza, as vítimas ficaram protegidas por uma laje após o desabamento e foram descobertas por cães farejadores dos bombeiros. Depois de verificar que estavam vivos, foi feita uma operação de resgate no local e a família foi hidratada e alimentada.

A primeira pessoa a ser retirada dos escombros foi Ane Gabriele, seguida do pai das crianças, do bebê e da mãe. Com dificuldade para respirar, o bebê já estava em estado grave quando foi resgatado. A criança morreu antes de chegar ao Hospital de Urgência de Sergipe (Huse), para onde a família foi levada.

O resgate mobilizou centenas de pessoas, incluindo bombeiros, Força Nacional, homens do Serviço de Atendimento Médico de Urgência (Samu), da Polícia Militar e as Defesas Civis do Estado e do município de Aracaju, além de empresas de construção civil da cidade, que cederam equipamentos e máquinas para a remoção dos escombros.

No início da tarde deste domingo, o hospital divulgou uma nota informando a situação das vítimas do desabamento. Segundo o médico que atendeu a família, Johnson Lucas Marques, o estado dos três é considerado estável. A mãe das crianças ainda passará por exames clínicos e radiológicos; o pai e a filha também deverão passar por mais exames.

Pedido. A família passava somente o fim de semana no prédio. O servente de pedreiro teria pedido permissão ao dono da construção para que a família, que mora no interior do Estado, pudesse ficar esses dias com ele no local.
O prédio, com quatro andares e 24 apartamentos no total, estava na fase final de construção, de acordo com os bombeiros. A assessoria de imprensa da Empresa Municipal de Serviços Urbanos (Emurb), da prefeitura de Aracaju, informou ontem que o proprietário do prédio tinha licença para fazer a construção. “A documentação para a construção do prédio de quatro andares, com térreo e garagem, estava regular e foi licenciada em 2012”, afirmou a Emurb.

Na manhã desta segunda-feira, 21, está marcada uma reunião com todos os responsáveis pelos órgãos que trabalharam no resgate para avaliar a situação. Após a reunião, haverá um pronunciamento do Corpo de Bombeiros sobre o assunto.
“Nosso objetivo era salvar a vida das pessoas, por isso a cena do desmoronamento foi alterada. Mas nós vamos fazer uma perícia para descobrir as causas do desabamento”, assegurou a major Maria Souza, dos bombeiros. 
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