Morre bebê ferido em desabamento de barreira em Alagoas

O acidente foi agravado pelas chuvas que atingiram o litoral alagoano no início da semana

Angela Lacerda, Wilson Lima e Ricardo Rodrigues, especial para O Estado,

14 de maio de 2009 | 18h37

A menina Adrieli, de apenas 21 dias, morreu nesta quinta-feira, 14, no Hospital Geral do Estado (HGE), em Maceió, depois de ter sobrevivido por um dia aos ferimentos provocados pelo desabamento da sua residência, na madrugada de quarta-feira, 13, no município da Barra de São Miguel, no litoral Sul de Alagoas, a 35 quilômetros da capital. No acidente, provocado pelo desabamento de uma barreira e de um muro de um condomínio, dois irmãos de Adrieli morreram soterrados: Francisco Ribeiro Júnior, de 3 anos, e Daniela da Silva, de um ano e cinco meses.

 

Veja também:

especialMapa: chuvas atingem mais de 1 milhão de pessoas

 

O acidente foi agravado pelas chuvas que atingiram o litoral alagoano no início da semana. Os pais das três crianças e outras pessoas da vizinhança também foram atingidos pelo deslizamento da barreira e do muro, mas como tiveram ferimentos leves, foram atendidos e liberados. O caso mais grave era o da pequena Adrieli, que não resistiu aos ferimentos e faleceu, com complicações pulmonares decorrentes da queda de partes do muro em seu corpo.

 

Na rua da residência das vítimas várias casas foram atingidas pela queda da barreira, que quando cedeu trouxe com a enxurrada o muro de um condomínio, construído na parte alta do local do acidente, que provocou a morte das três crianças. O Ministério Público Estadual divulgou que vai pedir a abertura de inquérito policial para apurar as causas do acidente e a situação do loteamento, em volta do qual foi construído o muro.

 

Segundo o secretário municipal de assistência social da Barra de São Miguel, Carlos Macedo, os pais das três crianças, Daniel da Silva e Maria Aparecida, estavam no cemitério do município, no velório de Francisco e Daniela, quando tomaram conhecimento da morte do bebê. De acordo com o secretário, os cinco familiares moravam em u ma casa localizada no loteamento Zé Nunes. Com a casa completamente destruída, o casal foi encaminhado a uma escola do município, onde os demais desabrigados também foram locados.

 

"Procuramos retirar todas as pessoas que estão em área de risco, sob orientação da Defesa Civil. No caso dessa família, também providenciamos o enterro, abrigamos as pessoas e nos responsabilizamos, ainda, pela alimentação", garantiu o secretário Carlos Macedo. Segundo ele, além do loteamento Zé Nunes, uma área localizada na favela do Loteamento Peroba também foi afetada e corre sérios riscos de desabamento, o que traz perigo de morte às pessoas não querem deixar o local.

 

O secretário executivo da Defesa Civil do Estado, Major Leite, disse que há cerca de 2750 pessoas afetadas direta ou indiretamente na Barra de São Miguel. O município é considerado o balneário mais badalado do verão de Alagoas, onde têm casas de praia os senadores Renan Calheiros (PMDB) e Fernando Collor de Mello (PTB), e o governador Teotônio Vilela Filho (PSDB).

 

Pernambuco

 

Dez municípios do sertão e do agreste afetados pelas chuvas - sete deles em estado de emergência - 209 desabrigados, 815 desalojados e uma mulher desaparecida. Este foi o saldo deixado pelas chuvas que caíram entre a noite de na quarta-feira, 13, e a madrugada desta quinta-feira, 14, em parte do interior de Pernambuco.

 

De acordo com a Defesa Civil, em Belo Jardim, no agreste, a 185 quilômetros do Recife, choveu 46 milímetros em duas horas na noite de anteontem, o que representa mais de 50% da média histórica do mês, que é de 80 milímetros. Foi nesta cidade, que Maria José de Lira, 71 anos, foi levada pela água ao tentar atravessar o córrego que divide os bairros de Santo Antonio e Bom Conselho. O nível da água subiu e ela não conseguiu atravessar, de acordo com a Defesa Civil. O Corpo de Bombeiros, que encerrou as buscas no final do dia, retoma a missão com ajuda do Exército e de uma equipe da prefeitura de Belo Jardim.

 

Em Tacaratu, no sertão, a rodovia PE-375, que dá acesso à cidade, foi interditada pelas chuvas e causa transtornos à população da área. Além de Belo Jardim e Tacaratu, decretaram estado de emergência os municípios de Araripina, Exu e Quixaba, no sertão, e Águas Belas e Sanharó, no agreste. Também estão afetados pelas chuvas os municípios sertanejos de Cabrobó, Granito e Petrolina.

 

Maranhão

 

Próxima de completar 15 anos de vida, a cidade de Trizidela do Vale, distante 226 km de São Luís, vive a maior crise de sua curta história. Há aproximadamente dois meses, o município está debaixo d'água e a expectativa é que essa situação perdure por pelo menos uma semana. Pelo menos 85% da cidade está inundada e, conforme dados da Defesa Civil, já foram contabilizados 8.153 desabrigados/desalojados e 14.977 afetados, para uma população total de apenas 18 mil habitantes.

 

Hoje, faltam abrigos e comida para as vítimas das enchentes. Estábulos de um campo de exposição agropecuária chamado Parque Maratá e uma olaria abandonada há seis anos foram improvisados para receber tantos desabrigados. Se não bastasse o sofrimento de ter suas casas inundadas, pelo menos 120 famílias vivem lado a lado com cavalos, porcos, galinhas, sem banheiros ou qualquer condição de higiene. "A gente fica aqui porque é o jeito", retrata a lavradora Elaílde Rodrigues dos Santos, instalada em um estábulo. "Não colocamos porque queremos, colocamos porque não tem mais abrigo", justificou o prefeito de Trizidela do Vale, James Freitas (PDT).

 

Os alimentos que estão sendo enviadas pelo governo do estado do Maranhão e governo federal são escassos e acabam rápido. Nesta quinta-feira, chegaram 1.051 cestas básicas. A prefeitura tentou comprar mais. Porém nem todas as vítimas receberam. Pelo menos R$ 400 mil da prefeitura já foram gastos para prestar assistência às vítimas - 20% do que recebeu do Fundo de Participação de Municípios (FPM) nos quatro primeiros meses do ano.

 

Mas o prefeito James Freitas não sabe até quando conseguirá ceder cestas aos desalojados. "A receita do município está comprometida e posso até atrasar o pagamento do funcionalismo", pondera. Isso tem mobilizado a sociedade civil e a Igreja de Trizidela do Vale em campanhas em prol dos desabrigados. Nesta quinta-feira, por exemplo, foi realizada uma caminhada em Pedreiras, cidade vizinha a Trizidela do Vale, para recolher donativos aos desabrigados.

 

Diante do caos no município, o prefeito de Trizidela do Vale já cogita mudar o centro administrativo da cidade para um local pelo menos 2 km distante da margem do Rio Mearim, que hoje inunda a cidade. Caso a ideia vingue, o centro comercial e administrativo de Trizidela seriam removidos. Conforme a prefeitura, a cidade já detém um prejuízo estimado de pelo menos R$ 20 milhões com as enchentes. Com 223 km?, Trizidela do Vale era um bairro de Pedreiras até se emancipar em 10 de novembro de 1994.

Mais conteúdo sobre:
chuvasnordeste

Encontrou algum erro? Entre em contato

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.