Morre bebê resgatado em prédio que desabou em Aracaju

Criança morreu quando era levada para hospital logo após resgate que durou 34 horas

Antônio Carlos Garcia, especial para O Estado de S. Paulo, Atualizado às 16h15

20 de julho de 2014 | 12h14

O bebê Ítalo Miguel, de 11 meses, morreu depois de ter sido resgatado pelo Corpo de Bombeiros dos escombros do prédio que desabou na rua Poeta José Sales Campos, no bairro Coroa do Meio, na zona sul de Aracaju, na madrugada do sábado. Ele era filho do servente de pedreiro, Josevaldo da Silva, 24 anos, que pediu permissão ao dono do prédio para passar o final de semana com a família, que reside no interior, pois estava com saudades de todos. Além do bebê, estavam no prédio Josevaldo, a mulher dele, Vanice de Jesus, 31 anos, e outra filha do casal, Ane Gabriele, de oito anos. Eles estão internados no Hospital de Urgência de Sergipe (Huse).

O resgate da família do servente de pedreiro durou 34 horas e mobilizou centenas de pessoas - dentre elas, Corpo de Bombeiros, Força Nacional, Serviço de Atendimento Médico de Urgência (Samu), Polícia Militar e as Defesas Civis do Estado e do município de Aracaju e empresas de construção civil que cederam equipamentos e máquinas. 

 
A major do Corpo de Bombeiros, Maria Souza, responsável pelo setor de Comunicação Social da corporação, disse que nesta segunda-feira pela manhã haverá uma reunião com todos os responsáveis pelos órgãos que trabalharam nesse resgate para a avaliar a situação. Após a reunião, haverá um pronunciamento do Corpo de Bombeiros sobre o assunto. "Nosso objetivo era salvar a vida das pessoas, por isso a cena do desmoronamento foi alterada. Mas nós vamos fazer uma perícia para descobrirmos as causas deste desabamento", disse.

Ainda de acordo com a oficial, o prédio era de quatro andares, com um total de 24 apartamentos e estava na fase final de construção. A assessoria de imprensa  da Empresa Municipal de Serviços Urbanos (Emurb) da Prefeitura de Aracaju disse que o proprietário do prédio tinha licença para fazer a construção, que estava em fase de finalização. "A documentação para a construção do prédio de quatro andares, com o térreo e garagem, estava regular e foi licenciada em 2012", informou a Emurb.

Resgate difícil. A major Maria Souza lembra que o resgate foi muito difícil e que as vítimas ficaram protegidas por uma laje. Os sobreviventes foram descobertos pelos cães farejadores do Corpo de Bombeiros e a partir daí foi feito todo esforços para retirá-los com vida. Assim que tiveram acesso às pessoas soterradas, os bombeiros passaram a hidratá-las, colocaram ventilação no local e deram alimentação.

A primeira pessoa a ser retirada foi Ane Gabriele, de oito anos, depois o pai das crianças, o bebê e a mãe. Todos foram receberam os primeiros cuidados médicos pelas equipes do Samu (Serviço de Atendimento Médico de Urgência), mas o bebê foi que necessitava de mais atenção porque estava com dificuldades de respiração e o estado era grave. Os médicos do Samu tentaram reanimá-lo, mas ele faleceu antes de chegar ao hospital. 

No início da tarde de ontem, o Huse divulgou uma nota informando a situação de todas as vítimas do desabamento. Segundo o médico emergencista que os atendeu, Johnson Lucas Marques, "o estado das três vítimas internadas na ala vermelha é considerada estável".

A mãe das crianças, Vanice de Jesus, tem quadro estável e passará por exames clínicos e radiológicos; o pai Josevaldo da Silva, 24 anos, está consciente e também passará por exames, assim como a filha Ane Gabriele.

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