Morre criador da Boca Maldita de Curitiba

O fundador da Confraria dos Cavalheiros da Boca Maldita, tradicional entidade curitibana, Anfrísio Fonseca de Siqueira, de 82 anos, teve o corpo cremado em Campina Grande do Sul, na região metropolitana de Curitiba, na tarde de hoje. Ele morreu domingo, em decorrência de falência múltipla dos órgãos, após ficar internado por duas semanas no Hospital NossaSenhora das Graças, em Curitiba. Nascido na Lapa, ele se formou em Ciências Contábeis e Ciências Econômicas, tendo exercido ainda atividades como delegado de Polícia e como funcionário do Tribunal de Contas, do qual estava aposentado. No entanto, tornou-se nacionalmente conhecido há quase 47 anos, quando fundou a confraria, que popularizou a Boca Maldita, um tradicional local de discussões políticas, sociais e esportivas no centro de Curitiba. Mesmo nos duros anos da ditadura militar, a Boca nunca parou de agitar o pensamento curitibano. A norma ditada por Siqueirae seguida à risca era a liberdade de expressão. Tanto que anualmente ele presidia um jantar no dia 13 de dezembro, em que personalidades políticas e da sociedade de várias tendências reuniam-se sob um mesmo teto. Nessa ocasião eram empossadosos cavalheiros, atualmente em número que ultrapassa 1,5 mil. O corpo de Siqueira foi velado durante o dia de ontem no salão de honra do Clube Atlético Paranaense, na Arena da Baixada, time pelo qual torcia e do qual era conselheiro. À tarde, o corpo foi cremado em Campina Grande do Sul e as cinzas levadas para a Lapa, conforme seu desejo. Siqueira deixa a viúva Júlia, quatro filhos, cinco netos e dois bisnetos.

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