Morre mais uma vítima de incêndio em MG

O major PM reformado Raul Ferreira Lima, de 56 anos, morreu na Unidade de Tratamento Intensivo do Hospital Militar, em Belo Horizonte, elevando para sete o número de mortes causadas pelo incêndio que destruiu a casa de shows Canecão Mineiro, na madrugada de sábado. Ferreira entrou no Canecão minutos antes do incêndio, quando a banda de pagode Armadilha do Samba se preparava para iniciar um show com um pequeno espetáculo pirotécnico - uma cascata de fogos de artifício que teria causado a tragédia. Segundo familiares, o major pretendia apenas buscar a filha, Nádila Roberta Lima, de 21 anos, que se divertia no local com o noivo e uma amiga, e que nada sofreu. "Ele me procurou, mas não o vi e, assim que o incêndio começou, consegui sair, pulando as catracas", disse Nádila. "Infelizmente, por causa do desencontro, meu pai foi atingido". Os parentes de Ferreira anunciaram que vão processar os proprietários da casa. "Não havia condições mínimas de segurança e alguém tem que pagar pela morte terrível do meu pai", afirmou a filha. Além dos parentes do militar, dezenas de pessoas - familiares dos outros seis mortos e os mais de 340 feridos no acidente - deverão mover ações judiciais nos próximos dias, pedindo indenizações. Segundo a Defensoria Pública de Minas, a partir de segunda-feira será montado um esquema especial na instituição para atender à demanda. "Os interessados devem levar documentos, como atestados de óbito, laudos do IML e, se possível, ingressos da casa de shows para que possamos dar início aos processos", explicou o advogado Darwin Vidal. Não apenas os donos do Canecão Mineiro, como também a banda de pagode que faria a apresentação e até a Prefeitura de Belo Horizonte e o Corpo de Bombeiros, suspeitos de falhas na fiscalização do local, poderão ser acionados. A casa de shows funcionava irregularmente e teria sido vistoriada pelos bombeiros, pela última vez, em 1996, quando empresários pretendiam instalar no local uma pista de corrida de kart, e não obtiveram aval das autoridades. O encaminhamento das medidas judiciais dependerá de investigações que estão sendo feitas pelo Ministério Público e pela Polícia Civil. Também a Assembléia Legislativa de Minas apura denúncias de que o Corpo de Bombeiros e a Polícia Militar do Estado teriam realizado bailes no Canecão Mineiro e no Trem Caipira, antigo nome do estabelecimento. De acordo com o deputado estadual Rogério Corrêia (PT), que solicitou a investigação, é estranho que as corporações tenham utilizado o local para festas sem se dar conta da precariedade das condições se segurança - não havia portas de emergência e extintores de incêndio suficientes para os mais de quatro mil metros quadrados do prédio. Feridos Pelo menos 60 vítimas de queimaduras e intoxicação no incêndio continuam internadas em hospitais de Belo Horizonte. Muitas dos feridos atendidos ainda no fim de semana e liberados voltaram a procurar atendimento médico, durante a semana, em razão de doenças associadas à inalação de fumaça. Um paciente, identificado como Wellington Carlos Rodrigues, ainda corria risco de vida, segundo médicos do Hospital João XXIII, onde está internado.

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