Morre menino fuzilado pela PM

Soldados estão em prisão administrativa; para testemunhas, policiais confundiram a família com os bandidos

Talita Figueiredo, O Estadao de S.Paulo

08 de julho de 2008 | 00h00

Cerca de 24 horas depois de a Polícia Militar disparar mais de 15 tiros contra o carro da advogada Alessandra Soares, morreu ontem às 20h10 seu filho, João Roberto, de 3 anos, no Hospital Copa D?or. Abriu-se um Inquérito Policial Militar (IPM) e determinou-se a prisão administrativa por 72 horas dos militares. O secretário de Segurança, José Mariano Beltrame, admitiu que houve falta de preparo dos policiais.No domingo, João Roberto voltava de uma festa com a mãe e o irmão, Vinícius, de 9 meses. Às 19h30, o cabo Elias da Costa Neto e um soldado, que não teve o nome divulgado, faziam patrulhamento na Rua Uruguai, quando avistaram quatro homens dentro de um Stilo preto em atitude suspeita. Quando o carro da PM se aproximou, o motorista acelerou. Em poucos minutos, os suspeitos entraram na Rua Espírito Santo Cardoso, onde houve o tiroteio.Alessandra estava a 50 metros do prédio onde mora, quando percebeu a viatura atrás em alta velocidade. Na frente do 399, encostou o carro para dar passagem. Os policiais saíram, se posicionaram atrás e dispararam com fuzis e pistolas.Em depoimento, os militares afirmaram que o carro de Alessandra ficou no meio do fogo cruzado. Mas testemunhas ouvidas pelo Estado afirmam que os policiais se confundiram. Uma dona de casa que mora na frente do local disse que Alessandra chegou até a jogar pela janela uma bolsa infantil, para chamar a atenção dos policiais. Os PMs só pararam de atirar quando a mãe saiu do carro, gritando que haviam matado seu filho. O carro dos criminosos já havia deixado o local, após bater em dois veículos parados na rua. Uma professora de 58 anos viu quando um dos militares pegou o bebê e o entregou a um morador. Depois, retirou João ensangüentado, pegou a mãe e levou-os para o hospital. O morador que cuidou do bebê, um cabeleireiro de 57 anos, disse que Vinícius não parecia assustado. Ele tirou os cacos de vidro da cabeça do bebê e ficou com ele na frente do prédio onde mora, até o pai surgir correndo e berrando pela rua.

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