Morre no Rio ex-chanceler Saraiva Guerreiro

Aos 92 anos, morreu ontem no Rio de Janeiro o ex-chanceler Ramiro Saraiva Guerreiro, que comandou o Itamaraty durante o último governo do regime militar, sob o general-presidente João Figueiredo, entre 1979 e 1985. Depois de uma longa carreira, que incluiu missões em Washington, Paris e nas Nações Unidas, em Nova York, Guerreiro tornou-se, nos anos 70 e 80, um dos pais do "pragmatismo responsável" - uma versão, naquela época, da prioridade às relações Sul-Sul, retomadas na era Lula.

Tania Monteiro, O Estado de S.Paulo

20 de janeiro de 2011 | 00h00

Em nota oficial do Planalto, distribuída no final da tarde, a presidente Dilma Rousseff afirma que "o embaixador Guerreiro foi exemplar defensor da diplomacia multilateral, das relações com os países do sul e dos fundamentos da política externa independente do Brasil". A presidente disse, ainda, ter recebido "com pesar" a notícia.

Em outro comunicado, dirigido pelo Itamaraty à embaixatriz Maria da Gloria Guerreiro, o ministro Antonio Patriota ressalta que o ex-chanceler "chefiou o Ministério das Relações Exteriores em momento de intensa transformação do Brasil e de importantes desafios para nossa política externa". Guerreiro deixa dois filhos, Rosa e Antoine.

Dívida externa. Formado em Direito pela Universidade do Brasil, ainda no Rio de Janeiro, Guerreiro se destacou, no final de sua atividade diplomática, já no governo Sarney, como negociador da dívida externa, num período em que o País já estava em moratória. Sua posição, nessa tarefa, era que o Brasil se adequasse às normas sugeridas pelo Fundo Monetário Internacional - o que acabou prevalecendo.

Nos cinco anos à frente do Itamaraty, Saraiva Guerreiro teve de lidar com os conflitos entre a vizinha Argentina e a Grã-Bretanha na Guerra das Malvinas. Fez também uma histórica viagem de contatos a Angola e Moçambique, em 1980, quando os dois países tinham acabado de se libertar do domínio português.

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