EFE/FILIPPO MONTEFORTE/ARCHIVO
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Morre o antigo porta-voz do Papa João Paulo II

Joaquín Navarro-Valls foi diretor de comunicação do Vaticano por 22 anos e era conhecido pela grande proximidade com o Papa; jornalista tinha 80 anos e foi vítima de câncer no pâncreas

O Estado de S.Paulo

05 Julho 2017 | 20h23

O jornalista espanhol Joaquín Navarro-Valls, que foi porta-voz do Vaticano por 22 anos, morreu hoje em Roma aos 80 anos, vítima de um câncer no pâncreas. Nomeado por João Paulo II em 1984 - quando ganhou acesso ao círculo mais próximo do Papa -, ele exerceu o cargo de diretor de comunicação da Santa Sé até 2006. 

Nascido em Cartagena (Espanha) em 1936 e formado em Medicina, o jornalista se tornou uma celebridade ao aparecer com frequência em programas de televisão para explicar ensinamentos católicos em linguagem simples. Ele morreu em casa, acompanhado por fiéis do grupo católico conservador Opus Dei, da qual fazia parte, de acordo com nota divulgada na página da instituição na internet.

Navarro-Valls era conhecido por nunca perder a compostura em suas mais de duas décadas ao lado de João Paulo II, mesmo quando foi preciso acompanhar a imprensa em dois boletins diários sobre a saúde do Papa, antes de sua morte.

"Joaquin Navarro-Valls incorporava o que Ernest Hemingway definia como coragem: graça sob pressão", afirmou Greg Burke, atual porta-voz do Vaticano.

Durante o pontificiado de João Paulo II, seu secretário Stanislaw Dziwisz e Navarro-Valls formavam o verdadeiro centro de comando do Vaticano. Seu acesso privilegiado ao Papa irritava alguns cardeais na Santa Sé, que precisavam esperar para obter audiências.

Graças à sua amizade com o Papa, eventualmente o jornalista entrava em ação sem dar satisfações à Secretaria de Estado, o principal departamento administrativo do Vaticano. Em uma dessas ocasiões, na metade da década de 1990, ele decidiu por conta própria que o Vaticano não deveria mais silenciar sobre a evidente precariedade da saúde do pontífice e liberou a informação de que ele sofria da doença de Parkinson.

João Paulo II também utilizava os serviços de Navarro-Valls para missões delicadas, pretrindo os próprios diplomatas do Vaticano. Em 1998 ele foi a Cuba para negociar diretamente com Fidel Castro algumas questões de última hora sobre a histórica visita papal à ilha.

Em uma conversa que durou a noite toda, pontuada por charutos e rum, Navarro-Valls convenceu Fidel Castro a restaurar a condição de feriado nacional do Natal - a data havia sido suprimida pela revolução cubana.

Depois da morte de João Paulo II em 2005, Navarro-Valls permaneceu no cargo de porta-voz do Papa Bento XVI por mais de um ano, a fim de auxiliar a transição, antes de deixar o serviço no Vaticano. 

Antes de sua saúde começar a se degradar, o espanhol atuava em Roma como diretor de um hospital e de uma faculdade de medicina ligadas à Opus Dei.

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