Morre o arquiteto Sérgio Bernardes aos 84 anos

Um dos mais importantes arquitetos brasileiros, o arquiteto carioca Sérgio Bernardes, de 84 anos, morreu hoje pela manhã em sua casa, no Rio. A morte ocorreu por falência múltipla dos órgãos, decorrente de um derrame que, nos últimos dois anos, havia paralisado parcialmente os movimentos de Bernardes. O sepultamento estava marcado para às 17h, no Cemitério de João Baptista (zona sul do Rio).Contemporâneo de Lúcio Costa e de Oscar Niemeyer, foi autor de obras importantes, como o Pavilhão de São Cristóvão, a residência de campo de Carlos Lacerda e de um conjunto de apartamentos na Avenida Niemeyer, Bernardes ficou conhecido como o mais excêntrico arquiteto de sua geração.Entre suas idéias, está, por exemplo, o projeto de transformar o arquipélago de Fernando de Noronha numa só ilha, que seria um centro turístico. Pensou também em interligar os rios brasileiros por um sistema de aquedutos, além de conjuntos habitacionais suspensos sobre trilhos de trens e uma marina que juntaria as praias de Ipanema e Leblon.Na década de 80, foi secretário de Planejamento de Nova Iguaçu e defendia a divisão do município em "propriedades comunitárias", uma de suas idéias socialistas. Mesmo assim, na década de 70, construiu o mausoléu Castelo Branco, tributo à direita e ao golpe militar de 1964. Em 1985, foi candidato a prefeito do Rio, pelo PMN.Bernardes também ficou conhecido por tentar reunir a arquitetura com áreas como a sociologia, filosofia, geografia, ecologia, urbanismo e ciência política. "Somos uma sociedade de expelidos, cercados pela feiúra por todos os lados, que é o legado que nos dá a propriedade privada", disse Bernardes, em entrevista ao Estado, em 1996.Apesar do derrame, Bernardes ainda trabalhava. Seu último projeto foi a reforma do Pavilhão São Cristóvão. "Nunca parou de produzir. Estava sempre envolvido em algum projeto", contou Maria Rosa Bernardes, nora do arquiteto. Bernardes deixou dois filhos e nove netos.

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