Morre o seqüestrador Fernando Dutra Pinto

Fernando Dutra Pinto, de 22 anos, que seqüestrou Patrícia Abravanel, de 24, matou dois investigadores, feriu um outro e manteve o pai de Patrícia, o apresentador Silvio Santos na mira de uma arma automática durante cinco horas, morreu nesta quarta-feira, no trajeto entre o Centro de Detenção Provisória (CDP) 2 do Belém e o Hospital Municipal do Tatuapé, em São Paulo. A hipótese de assassinato por envenenamento é uma possibilidades que estão sendo investigadas pela polícia."Meu filho era forte, estava bem de saúde, tinha apenas um resfriado. Sua morte tem de ser muito bem explicada", disse o pai, Antonio Sebastião Pinto. Lembrou que o filho tinha bronquite desde os 10 anos. O seqüestrador, que estava no CDP desde 31 de agosto, tomava um remédio para bronquite e havia reclamado ao pai de sentir dores no peito desde sexta-feira.O pai e a advogada do preso, Maura Marques, acreditam que Dutra Pinto pode ter sido vítima de omissão de socorro. A polícia, o Ministério Público e o Poder Judiciário apuram, além da hipótese de envenenamento, a possibilidade de intoxicação por medicamentos, broncopneumonia ou parada cardiorrespiratória.Infecção generalizadaSegundo o diretor do Instituto Médico-Legal (IML), José Jarjura Jorge, a causa da morte foi septicemia (infecção generalizada) e pneumonia. "Vamos fazer uma série de exames para determinar o que provocou a septicemia", explicou Jarjura. "O corpo estava íntegro, sem lesões externas ou internas." Em 20 dias, o IML deve divulgar o resultado dos exames. O corpo de Dutra Pinto permaneceu no instituto e não tem data para ser liberado.As informações sobre intoxicação alimentar por carne de porco são contraditórias. No sábado, segundo a advogada, Dutra Pinto almoçou carne de porco. Passou mal e foi internado na enfermaria da prisão. O secretário da Administração Penitenciária, Nagashi Furukawa, desmentiu a advogada mostrando o cardápio.Na segunda-feira, Dutra Pinto precisou ser levado para o Hospital do Tatuapé, onde ficou em observação por algumas horas. No fim da manhã desta quarta, teve de ser novamente levado para o hospital, orientado pelo médico Ricardo Cezar Cypriani, que o atendeu no sábado no CDP e verificava a evolução de seu quadro. O seqüestrador, porém, chegou morto ao hospital.Cypriani foi ouvido à tarde no 81º Distrito, que vai apurar a morte. Contou que o preso apresentou um quadro de broncopneumonia e parada cardíaca ao ser transportado para o hospital. Disse também ter atendido Dutra Pinto no sábado com intoxicação alimentar provocada por carne de porco.Cypriani voltou a atender Dutra Pinto na enfermaria do CDP na segunda-feira. Na terça, a situação se agravou e ele autorizou a transferência para o hospital. Ficou em observação e no fim da tarde voltou para o CDP. Na quarta, segundo ele, Dutra Pinto passou mal quando conversava com a advogada na prisão.EspancadoO seqüestrador teria sido espancado por agentes penitenciários há 15 dias por ter tentado fugir. Desde então, não se sentia bem. O juiz-corregedor da Vara das Execuções, Octávio Machado de Barros Filho, determinou que o IML na necropsia, detalhe os exames das vísceras. "Não pode haver dúvida", declarou o juiz.O Ministério Público, através dos promotores Dimitrius Eugênio Bueri e Maria Cristina Pinto Bilcher, também quer que o laudo necroscópico seja preparado com todas as respostas sobre o quadro de saúde do seqüestrador. Cópia do prontuário de Dutra Pinto foi solicitada pelos promotores ao diretor do CDP, Oswaldo Martins Bueno. O seqüestrador estava na cela 153 do Pavilhão 6 do CDP, acompanhado pelo irmão Esdras Dutra Pinto e por Marcelo Batista dos Santos, que também participaram do seqüestro, e mais nove detentos.A prisão de Dutra Pinto foi em 31 de agosto, após ele se entregar à PM na casa de Silvio Santos. A rendição ocorreu na presença do governador Geraldo Alckmin (PSDB) e do secretário da Segurança, Marco Vinicio Petrelluzzi. O secretário da Segurança informou, através de sua assessoria, que não falaria sobre "um caso que ocorreu no âmbito de uma outra secretaria". Explicou que até a conclusão do laudo necroscópico o que se disser é prematuro.

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