Morre o terceiro fiscal da SPTrans baleado

Morreu o terceiro fiscal da São Paulo Transportes (SPTrans) que havia sido baleado, com outros dois colegas de trabalho, após a apreensão de uma van. Os três foram abordados, na tarde de sábado, enquanto guardavam o veículo no pátio da empresa, no Pari, zona central de São Paulo, pelos ocupantes de uma motocicleta e de uma picape S-10. Suspeita-se que os autores do crime sejam perueiros clandestinos. Os funcionários foram enterrados hoje.José Donizete de Lima estava internado em uma Unidade de Terapia Intensiva (UTI) do Hospital das Clínicas, mas não resistiu ao ferimento e morreu às 21h30 de ontem. Ele havia levado um tiro no maxilar. José Tenório e Eduardo Baldrine foram encontrados mortos ontem à tarde, no Alto da Lapa, zona oeste de São Paulo, atingidos no rosto e no ouvido, respectivamente.Os três fiscais foram dominados às 16h30 de sábado, quando chegavam à SPTrans com uma van Ducato bege, de placa CPR-0545, apreendida uma hora antes no Jardim São Luís, zona sul. Segundo a reportagem apurou, o proprietário do veículo teria antecedentes criminais, mas a polícia não confirmou a informação.Por volta das 17 horas, moradores da Rua dos Aliados, no Alto da Lapa, ligaram para a polícia relatando o abandono dos corpos. Uma hora depois, um soldado da Polícia Militar localizou a van Ducato próximo do local onde os fiscais foram encontrados.InvestigaçãoOs investigadores do 91º Distrito Policial, onde o caso foi registrado, começam amanhã as diligências para apuração do crime. Três funcionários da SPTrans, arrolados como testemunhas, devem ser chamados para prestar depoimento.Segundo a SPTrans, de duas a três vezes por semana os fiscais da empresa sofrem algum tipo de violência por parte de perueiros clandestinos. "Eles andam armados, são violentos. Já virou rotina ações de resgate de peruas apreendidas", disse o diretor operacional da empresa, Maurício Thesin. "Essas foram as três primeiras baixas que tivemos neste ano."Todo dia, segundo o diretor, são apreendidas cerca de 30 peruas. Thesin reclamou que falta cooperação da Polícia Militar nas blitze e no deslocamento de carros apreendidos até o pátio. Quando ocorre, esse tipo de escolta costuma ser feito pela Guarda Civil Municipal (GCM) ou por policiais do Comando de Policiamento de Trânsito (CPTran), que está sendo desativado pelo governo estadual."O secretário municipal dos Transportes, Carlos Zarattini, já fez reuniões com a Secretaria de Segurança Pública do Estado, mas eles encaram esse tipo de situação por que passam nossos fiscais como comuns ou sem importância", afirmou Thesin.

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.