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Morre PM que sofreu traumatismo durante treinamentos

O sargento da Polícia Militar Adilson Pereira Aguiar, de 31 anos, morreu no final da tarde de ontem, depois de ter ficado internado uma semana no Hospital Comunitário de Palmas (TO), com traumatismo craniano. Ele foi ferido durante treinamento em operações especiais, junto com outros militares. A PM afirmou que Aguiar queixava-se de dor de cabeça, mas a família e o Ministério Público Estadual suspeitam que ele foi vítima de socos durante o treinamento. A PM nega os maus tratos. Em uma nota divulgada na semana passada, a PM classificou o fato como um incidente, mas não revelou quais teriam sido as causas do ferimento ou o tipo de ação a que Aguiar foi submetido. "Todas as instruções ocorreram dentro dos padrões da normalidade", assegurou o comunicado. A tenente Iana Barbosa, responsável pelo setor de comunicação social da PM, garantiu, na ocasião, que tudo seria apurado.Hoje o promotor de Justiça Edson Azambuja estudava a possibilidade de abrir um inquérito civil para apurar o caso, que chocou a corporação. "Não sabemos se o inquérito policial militar (IPM) aberto pela PM irá apurar, por isso estamos pensando em também abrir um na área civil", afirmou Azambuja. Segundo ele, diversos militares, que não quiseram se identificar por medo de represálias, denunciaram que o treinamento tinha práticas violentas, contrárias aos direitos humanos. "Não se pode mais admitir este tipo de prática, de orientações militares para uma polícia."O caso também chegou à Secretaria Especial dos Direitos Humanos pela Associação dos Subtenentes e Sargentos da PM do Tocantins. O presidente da entidade, Manoel Aragão da Silva, enviou documentos ao secretário dos Direitos Humanos, Nilmário Miranda, e ao Ministério Público denunciando também a morte do sargento Raimundo Nonato Pereira da Silva, depois de um teste de resistência física, no ano passado. "O militar foi colocado para correr às 11h, sem qualquer médico presente, por isso ele morreu de ataque cardíaco. Era o mesmo curso de operações especiais", afirma Aragão. Aragão afirmou ainda que diversos militares que participaram do curso afirmaram que o sargento Aguiar foi submetido a uma sessão de pancadas durante um minuto, o que pode ter causado o traumatismo craniano. "Os PMs denunciaram que o teste de resistência era receber socos", diz o presidente da associação. "Não adianta o comando da PM dizer que foi a dor de cabeça que matou o militar, que os boletins médicos informam que tratava-se de um traumatismo."O sargento foi enterrado hoje em Gurupi, no interior do Estado, de onde saiu para fazer o curso de operações especiais em Palmas. Ele era casado e tinha dois filhos. A viúva, Adriana da Costa Pereira Aguiar, vai entrar com uma ação contra o Estado pedindo uma indenização.

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