Morre primeira vítima de dengue no Rio

A Secretaria Municipal de Saúde do Rio confirmou hoje a primeira morte provocada por dengue hemorrágica. Trata-se de um morador da Favela da Rocinha, na zona sul da cidade. De ontem para hoje o número de casos da doença subiu de 733 para 916. O Rio de Janeiro já registra, desde o início do ano, 733 novos casos de dengue - 229 a mais do que em todo o mês de janeiro do ano anterior, segundo balanço divulgado ontem pela Secretaria Municipal da Saúde. Do total, 19 vítimas manifestaram a forma mais perigosa da doença, a hemorrágica.A explosão de casos no Rio desencadeou uma batalha entre os órgãos responsáveis pela erradicação do mosquito Aedes aegypti, o transmissor do vírus da dengue.A Fundação Nacional de Saúde (Funasa), que cuida da prevenção e erradicação de doenças tropicais no Ministério da Saúde, acusa a Prefeitura do Rio de ser a responsável pela epidemia por não ter intensificado ações contra o mosquito, como acordado em uma reunião em agosto passado. A prefeitura se defende e diz que fez tudo que era possível, mas que nenhuma medida do governo poderia ter evitado essa epidemia, já que todos estão vulneráveis a essa nova forma do vírus, o tipo 3.Em abril do ano passado, um relatório encomendado pelo então secretário Sérgio Arouca já constatava que a política adotada pela prefeitura era ineficaz e alertava para uma possível explosão do número de casos, se uma atitude não fosse tomada.Em todo o Brasil, os casos de dengue aumentaram 63% no ano passado, em relação ao ano anterior. Segundo dados da Funasa, em 2001, 391 mil pessoas contraíram a doença. O Rio lidera a lista de Estados com mais pessoas contaminadas no ano passado. Os casos aumentaram 1.498,6% em 2001, em relação a 2000. Foram registrados 68.438 casos no Estado. Em 2000, 4.281 pessoas contraíram a doença, colocando o Estado como 17º colocado na lista.São Paulo ocupa o segundo lugar na lista, com 51.357 casos da dengue, um aumento de 232,5% em dois anos. Em seguida estão Ceará e Bahia. Em 2000, a lista era encabeçada por Pernambuco, que conseguiu reduzir em 48%, caindo para a oitava posição.O Rio e a Baixada Fluminense são as regiões do Estado mais afetadas pela doença, segundo a Secretaria Estadual de Saúde. Duas pessoas já morreram - moradoras da Região Metropolitana - no Estado em conseqüência da doença. O grande perigo dessa nova epidemia é o esperado crescimento do número de casos de dengue hemorrágica. Esse risco foi previsto no ano passado, quando foi notificado o primeiro caso do tipo 3 do vírus no Rio de Janeiro.

Agencia Estado,

18 de janeiro de 2002 | 15h51

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