Morre rapaz espancado após a Parada Gay

Marcelo Barros teve morte cerebral confirmada ontem; polícia investiga crime de intolerância

Marcela Spinosa e Vitor Hugo Brandalise, O Estadao de S.Paulo

18 de junho de 2009 | 00h00

O chefe de cozinha Marcelo Campos Barros, de 35 anos, espancado no domingo após a 13ª edição da Parada Gay, morreu às 18h20 de ontem na Santa Casa de São Paulo, onde estava internado. Segundo amigos, embora fosse homossexual, a vítima não participou do evento. Ia encontrar um amigo quando foi agredido. A polícia trabalha com as hipóteses de roubo (agora latrocínio) e crime de intolerância. Segundo a Secretaria da Segurança Pública, porém, apenas um celular foi roubado. O caso está sendo investigado no 3º Distrito Policial (Campos Elísios) e, por enquanto, não há pistas dos autores do crime.A morte cerebral de Barros havia sido confirmada ainda pela manhã. "Ele não havia ido à Parada e foi morto mesmo assim, poderia ter acontecido com qualquer pessoa, gay ou não", disse a coordenadora do Centro de Referência da Diversidade (CRD) da Prefeitura de São Paulo, Irina Bacci. "Outro caso claro de intolerância. Infelizmente, somente após casos como esse a sociedade atenta para a luta contra a homofobia. A legislação tem de ser mudada, a começar pela aprovação do PLC122 (que iguala homofobia ao crime de racismo)", disse.Segundo a fotógrafa Luci Felippe, de 39 anos, amiga da vítima, Barros não participou da Parada porque não gostava de lugares com grande concentração de pessoas. "Ele estava em um churrasco e saiu para encontrar outro amigo na Rua Marquês de Itu", conta. O chefe de cozinha, que trabalhou no restaurante francês Le Petit Trou, do guitarrista Edgard Scandurra, estava num ponto de ônibus às 22 horas nas imediações da Avenida Paulista quando um grupo se aproximou e o espancou. "Ele foi agredido somente na região da cabeça. Foi de uma brutalidade sem tamanho. Nossa indignação é que essas agressões estão se tornando banais, corriqueiras, e não se pode pensar e agir dessa maneira", disse a amiga. Barros foi encontrado desacordado por uma ambulância que circulava pelo local. O local do enterro ainda não foi definido."Outra vítima da homofobia covarde, outro crime de ódio, que não acontece somente após a Parada Gay, mas bem mais frequentemente do que parece", disse o coordenador da Associação da Parada do Orgulho LGBT de São Paulo, Manoel Zanini. O movimento fará uma manifestação no sábado, a partir das 19 horas, na Avenida Dr. Vieira de Carvalho, para protestar contra os casos de violência registrados nesta edição da Parada.Barros não foi a única vítima da violência ocorrida após a Parada Gay. Daniel de Oliveira, de 35 anos, e M.P.S., de 17, também foram agredidos. Este último foi espancado na Rua Frei Caneca. Eles tiveram ferimentos leves e foram liberados. A Secretaria Municipal da Saúde contabilizou ainda 14 pessoas atendidas em unidades de saúde após a explosão de uma bomba caseira no Largo do Arouche, no fim da Parada. Além dessas vítimas, outros 39 feridos passaram pela Santa Casa. A organização afirmou que neste ano a Parada reuniu 3,1 milhões de pessoas, número inferior aos 3,4 milhões de 2008.

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