Morre segunda vítima do ciclone Catarina

O pescador Márcio Correia da Silva foi a segunda vítima fatal em Santa Catarina do ciclone Catarina, que atingiu Santa Catarina entresábado e domingo. Seu corpo foi resgatado a 30 quilômetros da costa, próximo a Araranguá, junto ao barco onde era tripulante, o Valio II, que naufragou ao ser atingido por uma onda gigante às 23h30 de sábado. Hamilton Antônio Rosa e os irmãos Luciano e Ricardo da Silva também estavam na embarcação e sobreviveram ao naufrágio. O Valio II estava em Torres (RS) quando os pescadores resolveram voltar para Itajaí, no litoral centro-norte catarinense, em função domau tempo. Na altura de Jaguaruna foram pegos pela tempestade. Luciano pulou na água assim que viu uma onda muito alta e em seguida o barcovirou. Ele foi encontrado ainda na manhã de domingo com várias escoriações pelo corpo, enquanto seu irmão foi resgatado na manhã de segunda-feira e Hamilton, à tarde. Outros dois tripulantes do Valio II continuam desaparecidos, assim como os sete do Antônio Venâncio, barco do qual não há vestígios. Ossete pescadores de uma terceira embarcação pesqueira - o Santa Maria -, que também enfrentou o ciclone, chegaram de manhã ao porto de Imbituba e passam bem. O 5º Distrito Naval de Rio Grande (RS) mantém as buscas 24 horas com um navio e um helicóptero, auxiliado por um avião da FAB e vários barcos de pesca. No primeiro dia útil após a ocorrência do fenômeno inédito no Hemisfério Sul, o governador Luiz Henrique da Silveira (PMDB) anunciouque a Secretaria de Estado da Fazenda vai repassar R$ 1,3 milhão para o Fundo Estadual de Defesa Civil. O dinheiro será utilizado na compra de material de construção, em especial telhas para reconstruir parte das 32 mil residências atingidas em 21 cidades. Luiz Henrique também anunciou a campanha nacional SOS Ciclone. Por telefone, pediu donativos a prefeitos de municípios catarinenses e governadores de outros estados. Também anunciou a conta corrente 802.500-5, agência 0680 (Besc/Conag), para as doações em dinheiro. ACaixa Econômica Federal já disponibilizou duas linhas de financiamento, uma para compra de materiais de construção para quem ganha até R$ 1,2mil, e outra para quem tem salário acima desse montante. A Defesa Civil de Santa Catarina não conseguiu fechar o relatório com os números finais dos prejuízos causados. Os 15 municípios daSecretaria Regional de Araranguá foram os que mais sofreram com a fúria do ciclone, alguns quase totalmente devastados, como Balneário Arroiodo Silva, Balneário Gaivota e Sombrio. Além da morte de Edson Lourenço Quirino, de 42 anos, que teve o carro esmagado por uma árvore em Maracajá, 50 pessoas ficaram feridas e 13 mil casas foram atingidas na região, sendo 300 totalmente destruídas. O assessor de Informação da Secretaria, José Mota Alexandre, calcula que as perdas também foram grandes no comércio e na agricultura. Asplantações de arroz, principal fonte de renda dos 160 mil habitantes da região, estão destruídas. Na maior cidade, Araranguá, 40 mil alunos estão sem aulas devido aos estragos causados nas escolas e 25% dos moradores estão sem energia. Os trabalhos da Centrais Elétricas de Santa Catarina (Celesc) também continuavam em São João do Sul, Santa Rosa do Sul, Praia Grande e Passode Torres. Nas cidades mais distantes da praia - Maracajá, Timbé do Sul, Turvo, Ermo, Meleiro, Sombrio, Jacinto Machado e Morro Grande - aenergia havia sido retomada apenas nas áreas centrais, porque as mais afastadas dependiam dos serviços de cooperativas de eletrificaçãorural. As cidades também sofriam com a falta de água e problemas nas linhas telefônicas. A dona de casa Virgínia Alexandre Rocha, de 40 anos, moradora de Sombrio, relatou aos prantos os momentos de pavor pelos quais passou durante o ciclone: "Eu, meu marido e meu filho de 10 anos nos escondemos embaixo da mesa da cozinha, quando metade das telhas da nossa casa voou e tudo ficou alagado. O barulho era assustador, pareciao fim do mundo." Sua filha Angela Alexandre Rocha, de 21 anos, morava há dois meses com o marido em uma casa nova de material, que desaboucom a força do vento e tudo se perdeu. "Eles correram para o vizinho, que chegou a esconder os filhos dentro de um roupeiro, todos tentando se proteger do jeito que dava. Foi mesmo Deus que nos salvou de uma tragédia maior."

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