Morte de adolescente desencadeia protestos em favela do Rio

Três ônibus foram incendiados e patrulha da PM teve vidros quebrados; moradores dizem que jovem foi visto pela última vez com policiais

Sergio Torres, O Estado de S. Paulo

14 de agosto de 2013 | 10h16

RIO - Atribuída por moradores a policiais militares, a morte de Laércio Hilário da Luz Neto, de 17 anos, provocou protestos violentos na noite de terça-feira, 13, no complexo de favelas da Penha, zona norte do Rio. Três ônibus foram incendiados. Uma patrulha da Polícia Militar teve todos os vidros quebrados.

O corpo do adolescente foi encontrado em cima de uma laje na Favela Parque Proletário, que integra o complexo. Não havia marcas de tiros. Aparentemente, ele foi morto por asfixia, por meio de pressão violenta exercida sobre o pescoço.

Luiz Neto estava desaparecido desde a última segunda-feira. De acordo com moradores, ele foi visto pela última vez sendo conduzido por PMs que trabalham na Unidade de Polícia Pacificadora (UPP) do complexo.

A PM negou envolvimento de seus agentes na morte do rapaz. O comandante das UPPs, coronel Frederico Caldas, esteve no complexo durante a madrugada. Ele disse considerar "muito prematuro" afirmar que a morte de Luz Neto estaria relacionada a uma suposta abordagem policial.

O coronel providenciou a realização de perícia no imóvel em que o corpo foi localizado. A área foi isolada e especialistas do setor de polícia técnica da Secretaria de Segurança Pública do Estado trabalharam a partir das 2h desta quarta-feira, 14. A Divisão de Homicídios da Polícia Civil, que enviou policiais à favela para acompanhar a perícia, deve assumir as investigações ainda hoje.

Avisado por meio de telefonema, Ladilson Hilário, pai da vítima, foi para o Parque Proletário. O filho não morava com ele. "Pegaram meu filho na covardia. Não são todos os policiais que sabem trabalhar dentro de uma comunidade", disse Hilário em entrevista transmitida no noticiário Bom Dia, Rio, da TV Globo.

Tudo o que sabemos sobre:
protestosRioviolênciaUPP

Encontrou algum erro? Entre em contato

Comentários

Os comentários são exclusivos para assinantes do Estadão.

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.