Morte de Dutra Pinto surpreende autoridades paulistas

O secretário de Administração Penitenciária, Nagashi Furukawa, o médico Ricardo Cézar Cypriani e o diretor do Centro de Detenção Provisória II do Belém (CDP), Oswaldo Martins Gomes, manifestaram surpresa e incredulidade com a morte de Fernando Dutra Pinto. Saudável, com 22 anos, sem histórico de doenças cardíacas ou uso de drogas e vítima recente de uma broncopneumonia, ele não poderia, segundo o médico e o secretário, ter morrido nessas circunstâncias. A advogada de Fernando, Maura Marques, disse que acredita em envenenamento. Segundo ela, três pessoas lhe teriam dito que ele poderia ser vítima desse tipo de crime. Somente após a autópsia e análise laboratorial, que deverão ficar prontas em 48 horas, será possível saber as causas exatas da morte. ?Se a morte foi por motivos naturais, não há nada a investigar. Caso seja constatado um envenenamento, vamos verificar o que houve?, afirmou o secretário. ?Não consigo acreditar que um moço de 22 anos tenha morrido dessa forma?, completou. Segundo a advogada, Fernando Dutra Pinto morreu praticamente em seus braços, às 11h55 de hoje. Ele estava sem visão, com dificuldades de respiração e zonzo, sentado numa cadeira de rodas. Teria reclamado, de acordo com ela, de doses excessivas do medicamento Selestone, que estaria recebendo. O médico negou que ele estivesse usando esse remédio. ?Foram ministrados os medicamentos Prometasina, Salbutanol, Celofexina, Simetina e Dipirona?, disse Cypriani. Para a família, ele reclamou de uma intoxicação com carne de porco. ?Não é verdade que a família tenha trazido carne de porco, como alega a direção do presídio?, afirmou Maura Marques, que pedirá uma análise rigorosa dos fatos.O médico disse que o seqüestrador apresentava um quadro de broncopneumonia, no estágio inicial. Anteriormente, teria tido uma intoxicação causada por ingestão de carne suína. De acordo com ele, o alimento constava no cardápio do presídio do dia 28, fato negado pelo secretário e pelo diretor do CDP. Oswaldo Martins Gomes apresentou um cardápio dos dias 29 e 31, no qual constavam frango, carne bovina e bife. Posteriormente, o médico disse ter se enganado. De acordo com Cypriani, de 39 anos, há oito no sistema penitenciário, a morte do preso não tem nenhuma relação com a intoxicação, que não foi sentida por nenhum dos 880 presos do complexo penitenciário. ?A carne de porco não estava estragada; ele podia ter uma sensibilidade especial para esse tipo de alimento, o que levou à intoxicação?. A ocorrência de morte em quadro de broncopneumonia, de acordo com ele, só ocorre em pacientes idosos, com pulmões danificados, o que não era o caso de Fernando. A seqüência de acontecimentos, de acordo com os médicos, é esta: na segunda-feira ele foi atendido com reação alérgica e manchas pelo corpo. Recebeu medicamento e já estava bem desse problema. Na terça-feira, foi diagnosticado uma broncopneumonia, confirmada em radiografia do tórax. Hoje, estava febril e foi encaminhado ao Hospital Municipal do Tatuapé. Recebeu massagem no caminho, após sofrer parada cárdio-respiratória. O pai do seqüestrador, Antonio Sebastião Pinto, disse que viu o filho no domingo. ?Ele estava bem, só reclamou de intoxicação e tinha manchas pelo corpo?. Ele afirmou que analisa a possibilidade de pedir ajuda a Silvio Santos para enterrar o filho. ?Se eu pedir ele me ajuda, é um grande homem e está com a mão estendida?, comentou. Fernando Dutra Pinto estava na cela 153 do Pavilhão 6, onde estão presos 12 pessoas no total, entre elas, seu irmão Esdras.

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