Morte de fiscal gera medo entre marreteiros de São Paulo

Esta sexta-feira foi dia de trégua na região da Praça da Sé, no centro de São Paulo. Os agentes de apreensão da Prefeitura que normalmente atuam no local foram liberados do trabalho para participar do sepultamento do colega Mizael Joaquim Vicente, de 40 anos, assassinado nesta quarta-feira por um ambulante revoltado pelo recolhimento de suas mercadorias. Livres da fiscalização, os marreteiros tomaram as ruas.Mas o clima era de tensão e medo quanto ao futuro. "Tenho certeza de que a situação vai piorar. Os fiscais não vão mais dar sossego para a gente", disse a ambulante Severina Rita da Silva. "Todo mundo saiu perdendo com esse crime. Agora as coisas vão ficar piores do que já estavam", concordou o camelô Zinho Santos Mota. "Se a Prefeitura não quer a gente trabalhando aqui, deveria nos arranjar outro emprego."O temor de que a fiscalização seja intensificada se justifica. Segundo o subprefeito da Sé, Sérgio Torrecillas, a região, que atualmente conta com 160 agentes de apreensão, passará a ter 600 funcionários a partir de março. "Eles manterão o esquema de blitz contra ambulantes irregulares com o auxílio da Guarda Civil Metropolitana e da Polícia Militar", explicou Torrecillas.Vicente foi morto a facadas pelo camelô conhecido como Índio, que também atacou o agente José Carlos Pivetti, de 39 anos. Pivetti foi atingido no pescoço e tórax e permanece internado no Hospital do Servidor Público Municipal, mas não corre risco de vida e deve receber alta no domingo.Tanto Pivetti quanto Vicente foram admitidos em regime de emergência, em fevereiro do ano passado, recebendo salário de aproximadamente R$ 600,00. No fim deste mês, o contrato de Pivetti será encerrado e, como a lei não permite renovação, ele deve perder o emprego pouco depois de sair do hospital.Índio permanece foragido, assim como o ambulante identificado apenas como Bastos, que forneceria a mercadoria para ele, de acordo com o delegado do 1º Distrito Policial, Fernando Camargo Bettencourt. O retrato falado de Índio foi divulgado nesta sexta-feira pela polícia. Não havia, no entanto, pistas sobre o paradeiro da dupla. "Os camelôs têm uma espécie de pacto do silêncio. Ninguém revela nada sobre os acusados", afirmou.

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