Morte de modelo brasileira reabre discussão sobre magreza

A morte da modelo brasileira Ana Carolina Reston, que sofria de anorexia, reabriu o debate sobre a magreza excessiva de muitas modelos que desfilam nas passarelas internacionais.A fraqueza causada por uma alimentação inadequada e uma infecção generalizada fez com que Ana Carolina, de 21 anos, morresse na última terça-feira no Hospital do Servidor Público Municipal, em São Paulo.A jovem, que foi internada no dia 25 de outubro, devido a uma insuficiência renal, tinha limitado sua alimentação a tal ponto que comia apenas maçãs e tomates, o que fez com que ela, com 1,74 metros de altura, pesasse pouco mais de 40 quilos.Este caso reabre o debate sobre a magreza excessiva das modelos e atinge todas as jovens, modelos ou aspirantes, porque o baixo peso pode provocar doenças.Há um mínimo de gordura corporal compatível com a vida que é de 5%, explicou hoje à EFE a doutora em Nutrição Carmen Cuadrado. "Há muitas dançarinas, modelos e ginastas que se aproximam dessa percentagem de gordura", afirmou a especialista.Cuadrado garantiu, além disso, que tomates e maçãs não são suficientes às necessidades energéticas de uma jovem de 21 anos, pois a quantidade desses alimentos que ela teria de ingerir seria enorme, sem levar em conta que essa dieta carece de proteínas, vitaminas e outros nutrientes. Esse tipo de alimentação, disse a doutora da Universidade Complutense de Madri, leva a "diferentes tipos de doenças e à morte".Evento em Madri veta magras demais na passarelaEm setembro deste ano, o evento de moda "Passarela Cibeles", em Madri, tomou pela primeira vez no mundo da moda internacional uma série de iniciativas polêmicas que envolvia a questão da magreza excessiva. O objetivo dessas decisões era que as modelos transmitissem uma imagem bela e, ao mesmo tempo, saudável. A diretora do evento, Leonor Pérez Pita, disse hoje à EFE que se começou a observar que as modelos estavam ficando excessivamente magras. "Em algumas delas, era possível ver as costelas e os braços ficavam pendurados como esqueletos", afirmou.Por esse motivo, os padrões de beleza associados a uma magreza extrema, normalmente exibidos nas passarelas de todo o mundo, não foram protagonistas nas coleções dos costureiros neste evento na Espanha, onde as modelos tinham que ter um peso mínimo para desfilar.Embora a iniciativa de Madri tenha sido aplaudida, ela não teve muita repercussão internacional, talvez porque, como disse Leonor Pérez Pita, em Paris ou em Nova York, a organização dos desfiles é de responsabilidade dos desenhistas e, portanto, são eles que escolhem suas modelos.Pita, no entanto, disse ter esperança de que a iniciativa se estenderá e, principalmente, que as jovens "fugirão" da magreza excessiva, "pois ela não é saudável".

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.