Morte de seis da mesma família em casa deixa vizinhos chocados

Aposentado por invalidez estava radiante com a chegada do neto, de apenas 10 meses; só um parente escapou

José Dacauaziliquá e Marcela Spinoza, O Estadao de S.Paulo

05 de novembro de 2007 | 00h00

Aires Fernandes, de 54 anos, dizia estar "superfeliz". Era avô havia dez meses. Estava aposentado por invalidez e morreu juntamente com a mulher, Rosa, de 54 anos, sua filha Ana Maria, de 21, seu futuro genro Lucas So, de 21, e seu neto, Luan, de 10 meses, além da sogra, Lina, de 75. O único sobrevivente é João, filho de Lina, que não estava em casa na hora do acidente."Ele (Aires) estava radiante com a chegada de seu neto", comentou o representante comercial Milton Lamberti, de 47 anos, que era um dos melhores amigos de Aires. "Nós crescemos juntos. Estávamos sempre tomando uma cervejinha", relembrou. Lamberti ressaltou que Aires era uma pessoa extrovertida, que ajudava a todos na rua. "Ele sempre se oferecia para arrumar alguma coisa que estava quebrada." A vítima era casada havia 19 anos com Rosa. "O pessoal da rua gostava muito dela. Aliás, a família toda era muito querida."SEM ÁGUAA casa onde Aires morava pertencia à mãe, Lina. O fato de reunir toda a família em volta demonstrava ainda um outro problema da família: precisava viver muitas vezes de doações ou do apoio de amigos e vizinhos. O aposentado João Miguel, de 63 anos, que mora há 40 anos naquela rua, foi dos que notou que a família Fernandes passava por grandes dificuldades, pelo menos nos últimos meses. "A Sabesp (Companhia de Saneamento Básico do Estado de São Paulo) cortou a água e a luz também foi cortada. Nós e o pessoal da igreja ajudávamos dando cestas básicas."E foi na igreja que Ana Maria - filha de Aires - conheceu Lucas, pai de seu filho. "Ela era uma menina bem caseira, que quase não saía de casa", comentou Lamberti. "Brinquei com ela esses dias dizendo que, se ela precisasse de alguns toques para cuidar do bebê, era para conversar com minha filha", disse, com um sorriso no rosto. Lucas, segundo Lamberti, era um jovem quieto, que não falava muito. "Aires estava bem tranqüilo com relação ao genro. Ele (Lucas) era um rapaz alto, muito bonito." Segundo o vizinho, todos na rua estão muito abalados. "Não agüento mais chorar."ENFARTEA aposentada Laurinda Ramos, de 92 anos, é avó de Lamberti e vizinha dos Fernandes. Ela estava em casa e sofreu um enfarte depois de assistir à queda do Learjet 35. Ela foi internada na Unidade de Tratamento Intensivo (UTI) do Hospital São Camilo, em Santana, na zona norte, e seria transferida para outra unidade de saúde que, até o fechamento desta edição, não havia sido definida.

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