Morte de Sendas pode ter sido encomendada

É o que sugere o advogado da família, contrário ao fim do inquérito

Clarissa Thomé, O Estadao de S.Paulo

23 Outubro 2008 | 00h00

O advogado Nilo Batista pedirá à polícia que investigue a possibilidade de Arthur Sendas, dono de uma das maiores redes de supermercados do País, ter sido assassinado por encomenda. Batista, que foi advogado do empresário por 30 anos, considera "leviano" o encerramento do inquérito sobre o homicídio com a prisão do motorista Roberto Costa Júnior, de 28 anos, que fez o disparo e confessou o crime, ocorrido na madrugada de segunda-feira. "Há algumas questões em que convém dar uma olhada. Vou requerer formalmente as diligências cabíveis", disse Batista, sem entrar em detalhes sobre as possíveis motivações do crime. Ele lembrou que Sendas, por temor de seqüestros, andava com um forte aparato de segurança, que incluía um carro blindado e a escolta de dois veículos com seguranças. "Ele não seria morto como o vereador (Alberto Salles, que trafegava em carro sem blindagem, com vidros abertos e sem seguranças, quando foi executado na manhã de anteontem). Para chegar ao seu Arthur, teria de ser com uma pessoa próxima a ele." Para Batista, alguns indícios levam a crer que o assassinato de Sendas, que tinha 73 anos, não foi apenas um gesto desesperado de Costa Júnior. Batista disse considerar suspeita a versão de que o motorista foi até o apartamento, por volta da meia-noite, pedir dinheiro. "Seria a milésima vez (que ele pedia dinheiro). Por que faria isso nesse horário, com uma pistola automática com bala na agulha?" Além disso, diz Batista, o motorista não seria demitido com a viagem, para os Estados Unidos, do neto de Sendas, para quem o rapaz dirigia - ele teria outra função e sabia disso. O terceiro indício foi uma conversa na tarde de segunda-feira entre Batista e o pai do assassino, o motorista Roberto Costa, funcionário da família desde 1980, no apartamento em que ocorreu o crime, no Edifício Juan Les Pins, no Leblon. "Eu disse ao pai: ?Se ele fez por encomenda, está correndo risco de vida. Se foi crime de mando, ele é um arquivo a ser apagado. A melhor coisa seria se entregar.? O fato é que, horas mais tarde, ele se apresentou à polícia, com uma história fechada, assistido por advogado", disse Batista, que disse temer pela integridade de Costa Júnior. O delegado titular da 14ª Delegacia de Polícia, José Alberto Pires Laje, que tomou, informalmente, o depoimento de Costa Júnior na madrugada do crime, não quis comentar as declarações do advogado. Ele informou que apenas a delegada adjunta Bianca Araújo poderia falar sobre as investigações. Ontem não era o dia de plantão dela na delegacia. O advogado de Costa Júnior, Alexandre Félix, não retornou as ligações do Estado.

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