Morte do chefe do tráfico causou represália a operação no Rio

Três traficantes morreram e quatro pessoas ficaram feridas; ônibus foram incendiados em protesto à operação

Talita Figueiredo, de O Estado de S. Paulo,

28 de janeiro de 2009 | 19h55

A morte de Leandro Monteiro Reis, o Pitbull, causou represálias à operação da Polícia Civil no Morro da Mangueira, na zona norte do Rio. Pitbull era o chefe do tráfico no morro e era procurado há mais de um ano pela polícia fluminense. Em protesto, traficantes incendiaram quatro ônibus em ruas próximas à favela. Outros dois traficantes foram mortos na operação desta quarta-feira, 28.   Veja também:  Ônibus são incendiados no Rio     Durante a ação, os policiais encontraram no porão de uma casa um paiol dos criminosos. No local, foram apreendidas uma metralhadora .30, um fuzil, duas pistolas e meia tonelada de maconha. Outro fuzil foi apreendido com um dos traficantes mortos. Quatro pessoas foram presas e quatro ficaram feridas.   Logo que a operação começou, pouco antes das 9 horas, com 80 policiais de várias delegacias especializadas, houve intensa troca de tiros e dois criminosos morreram. Segundo informações recebidas pelo titular da Delegacia de Combate às Drogas (DCOD), delegado Marcus Vinícius Braga, o chefe do tráfico da favela, Pitbull, teria sido baleado na barriga. Policiais vasculharam a favela, mas o traficante não foi encontrado. Por volta das 18 horas, o corpo de Pitbull foi levado para o Hospital Municipal Souza Aguiar, no centro do Rio, por pessoas da favela, mas ele já estava morto.   Beltrame lamenta ataques   O secretário de Segurança Pública, José Mariano Beltrame, lamentou o ataque aos ônibus e disse acreditar que a morte de Pitbull pode abalar a quadrilha que domina os pontos-de-venda de drogas no Morro. "Acreditamos que sim (que abala), mas não estamos preocupados em retirar um ou dois. O problema é muito maior do que esse. Temos que criar ambientes de segurança em diversas áreas do Rio de Janeiro, que cresceu durante décadas de maneira desordenada", disse.   Pouco depois de uma hora do início da operação, cerca de 100 moradores desceram para ruas de acesso ao morro em protesto contra a ação policial. Eles chegaram a quebrar o vidro de um dos carros da DCOD. Ao mesmo tempo, seis homens em três motos pararam dois ônibus na rua Ana Néri e jogaram coquetéis molotov. Em um deles, o da linha 474 (Jardim de Alah - Jacarezinho), duas pessoas ficaram feridas sem gravidade.   Os feridos foram levados para o Hospital Souza Aguiar, no centro da cidade. O outro ônibus, da linha 312 (Olaria - Praça Mauá), ficou parcialmente queimado e o motorista conseguiu conduzi-lo até a garagem da empresa.   Por volta do meio-dia, outro grupo de criminosos a pé e desarmados entraram em um ônibus da linha 665 (Pavuna - Saens Pena), no Largo do Pedregulho (outro acesso ao morro), mandaram o motorista abrir as portas para que os passageiros pudessem sair.   No final da operação, às 15 horas, traficantes colocaram fogo em outro ônibus, na Rua São Francisco Xavier, em frente ao campus da Universidade do Estado do Rio de Janeiro (UERJ).     Parte do comércio no pé do morro fechou as portas por causa do tiroteio. O trânsito em várias ruas próximas à Mangueira foi interditado pela Polícia Militar, que foi chamada para fazer o patrulhamento do entorno do morro. Mais de 50 homens do 22ª BPM, 4º BPM e do Batalhão de Choque reforçaram a proteção de áreas próximas à Mangueira.

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