JOSE PATRICIO/ESTADÃO
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Mortes em acidentes de trânsito caem 11% em um ano no País

Número passou de 43.780 óbitos em 2014 para 38.651 no ano seguinte; Ministério da Saúde acredita que crise econômica, Lei Seca e municipalização da fiscalização tenham contribuído

Marco Antônio Carvalho, O Estado de S. Paulo

19 de junho de 2017 | 21h13

SÃO PAULO - O número de mortes decorrentes de acidentes de trânsito no País caiu 11% entre 2014 e 2015, de acordo com dados recém divulgados pelo Ministério da Saúde referentes ao Sistema de Informação sobre Mortalidade (SIM). De 43.780 óbitos em 2014, o número caiu para 38.651 no ano seguinte. A quantidade de vítimas de acidentes com carros e atropeladas também apresentou queda. O ministério acredita que a crise econômica, a municipalização da fiscalização e uma maior efetividade de monitoramento quanto à Lei Seca tenham contribuído para a redução.

Os dados foram divulgados nesta segunda-feira, 19, pela pasta. Segundo o ministério, as colisões com carros e os atropelamentos caíram 23,9% e 21,5%, respectivamente. Entre os motociclistas também houve redução da mortalidade em 4,8%.

O sistema apontou também a redução das internações em decorrência de acidentes de trânsito, com 1.018 procedimentos médicos a menos na comparação entre os anos. Entre ciclistas e motociclistas, esse número, no entanto, subiu, havendo 1.669 e 4.061 internações a mais, respectivamente. “Esses acidentes respondem por boa parte das internações hospitalares e pela maioria dos atendimentos de urgência e emergência, que geram altos custos sociais, como cuidados em saúde, perdas materiais e despesas previdenciárias, além de grande sofrimento para as vítimas e seus familiares”, declarou o ministério em nota.

“Em 2015, ocorreram 158.728 internações por ATT (acidente de transporte terrestre) com custo de R$ 242 milhões para o SUS, sendo que mais de 50% das internações e seus cursos envolveram motociclistas”, detalhou a pasta.

De acordo com o levantamento, em números absolutos, os Estados de São Paulo (1.169 óbitos), Rio de Janeiro (709) e Bahia (472) apresentaram a maior redução de mortes no trânsito; São Paulo passou de 7.559 mortes em 2011 para 6.134 em 2015. Por outro lado, Paraíba (62), Sergipe (39) e Roraima (18) tiveram aumento no número de óbitos. “Entre as capitais, Goiânia (GO), Fortaleza (CE), São Paulo (SP) e Rio de Janeiro (RJ) se destacaram na queda de vítimas por acidentes de trânsito”, informou o ministério.

A pasta levanta três possibilidades para explicar a queda. A primeira seria a efetividade das ações de fiscalização após a implementação da Lei Seca, que neste ano completa nove anos de vigência. “Além de mudar os hábitos dos brasileiros, a lei trouxe um maior rigor na punição e no bolso de quem a desobedece. Com o passar dos anos, a lei passou por mudanças e ficou mais severa com o objetivo de aumentar a conscientização de não se misturar bebida com direção”, disse.

Um segundo fator seria a desaceleração econômica, com influência no aumento da frota de veículos no País. De 2014 para 2015, o crescimento foi de 4,6%, ante uma taxa mais elevada responsável por triplicar a frota total de 2010 a 2015. Por fim, o ministério acredita que a municipalização dos serviços de trânsito pode ter contribuído para a queda, já que com a responsabilidade passando a ser local, as cidades podem criar órgãos executivos para a área.

“Nos municípios que adotaram essa estratégia houve maior redução do número de óbitos por acidentes de trânsito, com queda de 12,8%. Nos demais, a queda foi menor, 8,9%.”

Por nota, o ministro da Saúde, Ricardo Barros, comentou os dados. “É um registro de redução que deve ser perseguido por todos. Acidente de trânsito é um problema que precisa ser enfrentado com muita clareza e determinação de toda a sociedade, pois causa danos às famílias que acabam perdendo seus entes queridos”, disse.

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