Mortes em conflito com a PM revoltam moradores de favela

O tiroteiro em que policiais militares mataram três pessoas - dois adolescentes - num suposto confronto com traficantes na Favela Kelson?s, na Penha, zona norte do Rio, fez com que moradores tentassem interditar a Avenida Brasil. Os manifestantes foram impedidos de deixar a favela por outro grupo de policiais, que entrou atirando para o alto. Cinco homens do 16.º Batalhão da PM participaram da operação que resultou nas três mortes, pela manhã. Nenhum policial ficou ferido. As vítimas, Rodrigo da Silva de Paula, de 16 anos; Júlio César Matos de Oliveira, de 23, e Mustafá Sales de Souza, de 16, foram levadas para Hospital Getúlio Vargas, na Penha. Os três chegaram mortos." Eles vendiam pó à vontade no meio da rua?, disse o sargento Ítalo Pereira Campos, que comandou a operação. ?Nenhum inocente foi baleado, todos estavam com peça (arma) na mão. Foi serviço de profissional".A mãe de Mustafá Souza, Jaqueline Viana Sales, acusou a polícia de assassinar seu filho. "A polícia já entrou na favela atirando. Meu filho estava saindo da casa da namorada e indo para a minha almoçar.""Eles querem botar o povo contra a polícia. O filho dela era o que estava com o fuzil na mão, tirando onda", acusou o sargento. Segundo a polícia, foram apreendidos um fuzil Rugger, uma pistola calibre 45, um revólver, 52 trouxinhas de maconha e 140 papelotes de cocaína."Demos sorte no confronto. Ficamos vivos e infelizmente aconteceu isso com os três. É a conseqüência do nosso serviço, cuja finalidade é prendê-los vivos, mas quando reagem não tem jeito. Fizemos o nosso papel", disse o tenente-coronel Lourenço Pacheco, comandante do 16.º BPM.

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