Mortes em confronto com a polícia crescem no Rio

Os homicídios dolosos (intencionais) e os roubos de veículos caíram em agosto no Estado do Rio, atingindo as taxas mais baixas desde janeiro, mas o número de pessoas mortas em confrontos com a polícia foi o mais alto do ano. Esse crescimento, atribuído ao aumento da repressão policial, preocupa a Secretaria da Segurança Pública.A coordenadora Jaqueline Muniz, que apresentou hoje os índices de criminalidade, disse que 20 mil policiais ? mais da metade do efetivo de 35 mil homens da PM ? passarão por programas de profissionalização e capacitação até o fim do ano . ?Esse não é o cenário que nós desejamos, é o cenário possível. Mas vamos reverter isso gradativamente com uma doutrina de uso qualificado da força, reduzindo a vitimização de policiais e cidadãos.?Em agosto, 99 pessoas morreram em confrontos com a polícia, ante 73 no mês anterior. Houve 58 mortes em junho, 75 em maio e 70 em abril, primeiro mês da gestão de Benedita da Silva (PT), após a saída de Anthony Garotinho (PSB) para disputar a Presidência. Em março, 63 pessoas morreram em confrontos, ante 57 em fevereiro e 86 em janeiro.?Nós temos aumentado muito as ações repressivas para acabar com a fonte geradora do medo. Em agosto de 2001, houve 68 confrontos. Este ano, fomos para 139 no mesmo mês. Qual o marginal que recebe com flores uma incursão policial em comunidades dominadas? Na medida que isso não acontece, a lei tem de vencer. Nós não vamos para matar mas, evidentemente, se eles não se renderem, pode haver essa conseqüência?, disse o comandante-geral da Polícia Militar, coronel Francisco Braz. O número de homicídios dolosos diminui a cada mês na gestão petista. Houve 493 registros em agosto ? média de 15,9 por dia ?, ante 528 em julho, 552 em junho, 667 em maio e 668 em abril. No entanto, o número do mês passado é maior do que o registrado em agosto de 2001 (469).No caso dos roubos de veículos, o número de agosto também foi o mais baixo do ano: 2.509, ante 2.682 em julho, 2.538 em junho, 3.210 maio e 3.490 em abril. Em março, houve 3.262 casos, ante 2.611 em fevereiro e 2.774 em janeiro.?O problema dos altos níveis de mortos em confrontos com a polícia é preocupante e não pode ser explicado apenas pela criminalidade intensa, porque houve queda do número de homicídios. É um problema estrutural da polícia?, disse o sociólogo Ignacio Cano.Para Jaqueline, o governo está em confronto direto com as três facções criminosas (Comando Vermelho, Terceiro Comando e Amigos dos Amigos). "Nós não fazemos pacto com o crime e nem propomos como política o equilíbrio entre essas facções. É evidente que o lado de lá vai reagir, e enquanto nós somos ofensivos, eles são espetaculosos?, disse Jaqueline, que reconhece a ?sensação de medo? que afeta a população.Segundo ela, crimes como assalto a pedestres (1.683 casos em agosto, ante 1.535 em julho) e roubo a residências (140 registros, ante 130) são de baixa lucratividade para os bandidos se comparados por exemplo a roubo de veículos, usado para capitalização por grupos criminosos, mas merecem ?atenção especial? por serem ?elementos motivadores e potencializadores de medo?. Segundo ela, ?segurança pública plena é a redução objetiva dos crimes, que está ocorrendo, e a redução subjetiva do temor.?

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