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Mortes em SE são ligadas ao tráfico; em AL, integração explica queda

Novo líder de violência, Estado sergipano contesta metodologia do Fórum; em Alagoas, coronel elogia distância de 'políticos de carreira'

Marco Antônio Carvalho, Antonio Carlos Garcia e Caroline Monteiro, O Estado de S.Paulo

28 Outubro 2016 | 06h00

SÃO PAULO E ARACAJU - Novo líder de violência no País, Sergipe tem a maioria dos casos de assassinatos ligados a disputas relacionadas ao tráfico de drogas, realidade dominante também em outros Estados. A Secretaria da Segurança sergipana estima que oito de cada dez mortes tenha relação com o comércio de entorpecentes, entre outros crimes, segundo análise feitas em inquéritos policiais. A pasta destaca que, mesmo diante da alta taxa (57,3 mortes por 100 mil habitantes), 43,6% das investigações apontam o autor do crime, com encerramento dos inquéritos e envio para a Justiça.

A administração disse atuar com rigor na coleta dos dados, o que pode levar a "discrepância" na comparação nos dados entre os Estados. A pasta acrescentou que até setembro de 2016, a Polícia Civil e Polícia Militar prenderam 5.244 pessoas em Aracaju e no interior, número recorde dos últimos anos. Para incremento no combate à insegurança, a pasta disse "apelar" para mudança na legislação penal, para que criminosos "cumpram sua pena integralmente pelos crimes violentos praticados". Defendeu ainda maior participação do governo federal no enfrentamento da realidade. 

Alagoas. Dados do Anuário de Segurança Pública mostram que a taxa de mortes violentas intencionais em Alagoas caiu 20%. Em 2014, foram 64,1 assassinatos por 100 mil habitantes. Em 2015, a taxa foi de 50,8. Em números absolutos, as mortes por homicídios, latrocínios, lesão corporal e em confronto com a polícia passaram de 2.129 para 1.696. 

Segundo o secretário de Segurança Pública de Alagoas, Coronel Lima Júnior, a queda é decorrente da nova gestão do governo do Estado, que escolheu apenas técnicos para cuidar da pasta. “Atualmente, não tem nenhum político de carreira na Secretaria e isso facilita o nosso trabalho”, diz. O coronel, que está na Polícia Militar desde 1989 e assumiu o cargo de secretário em março de 2016, aponta também o fortalecimento da inteligência das Polícias Militar e Civil como fator importante para a redução do número de mortes. “As polícias atuam de forma integrada em todas as suas operações. Nós aumentamos o patrulhamento nas áreas de maior índice de violência e isso trouxe uma redução do números de homicídios e latrocínios”, explica.

O secretário-executivo de Coordenação das Políticas de Prevenção à Violência de Alagoas, Cloves Benevides, diz que a redução da taxa de violência no Estado foi causada também pelo trabalho unificado das secretarias de Segurança Pública, de Ressocialização e de Prevenção à Violência, que começaram a atuar em conjunto a partir de 2015. 

Apesar da queda geral, Alagoas se mantém no topo da lista de maiores taxas de homicídios do país. Tem a segunda maior (50,8), atrás apenas de Sergipe (57,3). O Estado apresenta ainda um aumento de 25% no número de mortes em decorrência de ação policial. Passou de 77, em 2014, para 97, em 2015.

Segundo Lima Júnior, o aumento do número de operações em áreas violentas faz crescer o número de “autos de resistência”, classificação que designa lesão corporal ou morte causada por intervenção policial. “Para reduzir a violência e aumentar o número de homicidas presos, é necessário aumentar as buscas pelas lideranças criminosas. Com isso, cresce também a possibilidade de resistência. Um policial não pode esperar que um chefe do crime descarregue toda a arma nele. Eu afirmo que nós trabalhamos dentro da legalidade”, diz o secretário.

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