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Mortes na fronteira com Paraguai têm relação com tráfico, diz polícia

No último fim de semana, oito pessoas foram mortas na região de Ponta Porã; assassinatos ocorreram logo depois de operação da PF

José Maria Tomazela, O Estado de S. Paulo

08 Novembro 2016 | 16h09

SOROCABA - As polícias brasileira e paraguaia atribuem a sequência de execuções que deixaram ao menos oito pessoas mortas, no último fim de semana, na região de Ponta Porã (MS), fronteira entre os dois países, à disputa pelo controle do tráfico de drogas. 

As ações aconteceram logo após a operação 'Cavalo Doido', da Polícia Federal brasileira, que prendeu 27 pessoas nos Estados de Mato Grosso do Sul e Goiás, envolvidas com o tráfico. Do lado paraguaio, uma ação simultânea da Secretaria Nacional Antidrogas (Senad), resultou na destruição de 127 hectares cultivados com a droga, com produção de 381 toneladas, além de 18,9 mil quilos de maconha pronta e 1,5 mil quilos de sementes.

De acordo com a Delegacia Regional de Ponta Porã, pelo menos três dos mortos tinham envolvimento com o tráfico. A ação de milícias, com possível envolvimento de policiais, também é investigada. Na manhã desta terça-feira, 8, dois brasileiros numa caminhonete Nissan foram abordados pela Polícia Nacional do Paraguai na linha internacional, entre Ponta Porã e Pedro Juan Caballero. Eles reagiram com tiros e um dos suspeitos, Anderson Luís Carneiro, de 38 anos, foi baleado. Ele estava na companhia de Carlos Augusto Leiva da Silva, que se entregou. O veículo havia sido roubado no Paraná e seria entregue a outro brasileiro, morador de Pedro Juan, como pagamento por drogas. Carneiro foi internado e será preso quando receber alta.

O promotor antidrogas Hugo Volpe, do Senad, atribuiu o aumento da violência a uma reação às operações das polícias paraguaia e brasileira de combate ao narcotráfico. Segundo ele, embora os grandes cultivos de maconha sejam financiados por brasileiros que não moram na região, o transporte da droga envolve pequenos agentes que atuam na área de fronteira. 

Volpe reconheceu que muitos agricultores paraguaios se dedicam ao cultivo da droga como cultura de subsistência, nos arredores de Capitán Bado e de Bella Vista Norte. Esses 'lavoureiros' usam a atividade ilegal para sobreviver e acabam entrando em conflito quando precisam comercializar a droga. No lado paraguaio, o quilo de maconha custa US$ 30, mas o valor ao menos duplica assim que a droga passa a fronteira.

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