Daniel Teixeira/Estadão
Daniel Teixeira/Estadão

Mortes ocorreram por perfurações e asfixia em presídio de Manaus

Ataques com escovas de dentes e 'mata-leão' causaram a morte de 15 detentos durante briga; secretário Louismar Bonates anunciou a suspensão das visitas como uma das medidas administrativas de segurança 

Bruno Tadeu, Especial para o Estado

27 de maio de 2019 | 14h00
Atualizado 28 de maio de 2019 | 12h06

Ataques com escovas de dentes e 'mata-leão' causaram a morte de 15 detentos durante briga na manhã deste domingo, 26, no Complexo Penitenciário Anísio Jobim (Compaj), em Manaus. A chacina ocorreu em horário de visita de familiares, o que segundo o secretário de Administração Penitenciária do Amazonas, Marcus Vinícius de Almeida, foi o descumprimento de uma regra entre os criminosos. "Foi a primeira vez no Amazonas".

O secretário revelou que as mortes ocorreram por perfurações e asfixia. "A gente identificou alguns estoques pequenos e, por incrível que pareça, eram escovas de dentes. Eles raspam", explicou, revelando a origem do objeto pontiagudo. "Quanto a evitar 100% que uma morte acontecesse, nós temos que ter a maturidade de entender que, em qualquer prisão do mundo, quando se quer matar, infelizmente vai se matar, como mataram. Mataram enforcados. Alguns com 'mata-leão'. Então, isso o Estado não tem como evitar", declarou Almeida.

Ainda no dia da matança, a secretaria abriu investigação para identificar, através das câmeras internas, os presos envolvidos nos crimes, que ocorreram somente no regime fechado. Não houve fugas nem reféns, segundo o secretário, que anunciou a suspensão das visitas como uma das medidas administrativas de segurança.

Questionado sobre uma possível briga entre facções, o secretário disse que o Estado não as reconhece e que a investigação irá apurar a motivação dos crimes. "Agora, uma ação como que aconteceu no passado (quando 57 pessoas morreram em janeiro de 2017 após confronto de facções), isso está descartado".

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