Mortes violentas com arma de fogo atingem mais os jovens

Lista tem Brasil atrás só de El Salvador, Colômbia, Venezuela e Guatemala

Lisandra Paraguassú, O Estadao de S.Paulo

26 de novembro de 2008 | 00h00

A violência nos países da América Latina tem a mesma face: vítimas jovens de mortes violentas provocadas por armas de fogo. O Mapa da Violência da América Latina, apresentado ontem pela Rede de Informação Tecnológica Latino-Americana (Ritla), mostra que os 16 países pesquisados da região possuem o mesmo perfil. Ocupam os postos mais altos no ranking de taxas de homicídios, tanto na população em geral quanto na população jovem (de 15 a 24 anos). O mapa mostra 83 países, cujos dados de mortes violentas estavam disponíveis no sistema de informações da Organização Mundial de Saúde (OMS). Os latino-americanos ocupam as quatro primeiras posições, quando se considera homicídios na população em geral - com El Salvador, Colômbia, Venezuela e Guatemala -, e as cinco primeiras, quando se trata de homicídios na população jovem, em que aparece o Brasil no quinto lugar. O Uruguai, país com o índice de mortalidade mais baixo tanto na juventude quanto no restante da população, ainda é o 35º na taxa geral, com 4,5 mortes por 100 mil habitantes, e 27º, com 7 mortes de jovens por 100 mil habitantes. "Precisávamos estudar que fator cultural é esse que destoa a América Latina do restante do mundo", diz o autor do mapa, o pesquisador Julio Jacobo Waiselfisz. Em uma comparação com outras regiões do mundo, a América Latina é a que concentra as maiores taxas de assassinato. Apenas o Caribe - que, ressalta Waiselfisz, tem traços culturais semelhantes - aproxima-se. No Brasil, para cada pessoa assassinada, 2,7 jovens de 15 a 24 anos são mortos. Em El Salvador, a proporção é de 3,3 para 1 e na Colômbia, 2 para 1. Apenas em Cuba, Costa Rica e México a diferença é inferior a 50%. Os dados usados são de 2005. E há algumas boas notícias, como a redução significativa de mortes violentas na Colômbia, que passou de 77,3 por 100 mil habitantes em 2002 para 43,8 por 100 mil em 2005. O Brasil também teve uma pequena redução: de 27,4 para 25,2 no mesmo período.

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