Polícia Civil
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Morto em troca de tiros, capitão Adriano era alvo de três investigações

Além de suspeito de participar da morte da vereadora Marielle Franco (PSOL), ex-policial militar Adriano Magalhães da Nóbrega também era procurado pela justiça por grilagem e por participação no esquema conhecido como 'rachadinha na Aler'

Redação, O Estado de S.Paulo

10 de fevereiro de 2020 | 09h00

O ex-policial militar Adriano Magalhães da Nóbrega, conhecido como "capitão Adriano", foi morto em uma troca de tiros com a polícia na manhã de ontem em Esplanada, no interior da Bahia. Foragido desde janeiro do ano passado, ele é apontado como chefe do "Escritório do Crime", milícia suspeita pela morte da vereadora do Rio Marielle Franco (PSOL) e seu motorista Anderson Gomes, assassinados em março de 2018. Além disso, Adriano também é investigado em outras duas frentes. 

A vereadora do PSOL foi assassinada em 14 de março de 2018. Nóbrega chegou a prestar depoimento, mas nunca foi acusado formalmente pelo crime. Ele é apontado como líder do grupo Escritório do Crime, do qual faz parte um dos denunciados, o também ex-PM Ronnie Lessa.

Apesar de ser suspeito de participar da morte de Marielle, "capitão Adriano" era procurado pela Justiça por causa de outro crime. Ele foi denunciado pelo Ministério Público por atuar com grilagem de terras; compra, venda e aluguel irregular de imóveis; cobrança irregular de taxas da população local; e extorsão e na receptação de mercadoria roubada em Rio das Pedras.O Ministério Público do Rio chegou a denunciar 13 pessoas acusadas de atuar nesse esquema de grilagem em bairros da zona oeste do Rio. 

Ele também estava sendo investigado em um esquema chamado de "rachadinha na Alerj".O MP do Rio apresentou à Justiça conversas de WhatsApp entre Adriano e sua ex-esposa, Danielle da Nóbrega, que era funcionária do gabinete do então deputado estadual Flávio Bolsonaro. Nesses diálogos, o miliciano afirmava que também se beneficiava do suposto esquema de "rachadinha", quando ela reclama de sua exoneração. 

A ex-mulher de Nóbrega trabalhou no gabinete de Flávio Bolsonaro de setembro de 2007 a novembro de 2018, junto com sua sogra. Em conversas telefônicas interceptadas pelo MP, capitão Adriano indica que ficava com parte do salário delas. Ele era amigo de Fabrício Queiroz.Danielle e a mãe de Adriano, Raimunda Veras Magalhães, foram exoneradas por Flávio quando o filho do presidente Jair Bolsonaro e Queiroz ficaram sabendo da investigação. 

Grilagem

Em janeiro de 2019, o Ministério Público do Rio denunciou 13 pessoas acusadas de atuar num esquema de grilagem em bairros da zona oeste do Rio, como Rio das Pedras e Muzema. Os suspeitos também seriam responsáveis por venda e locação de imóveis irregulares e por extorquir moradores. Apenas Adriano Magalhães da Nóbrega, não havia sido localizado ainda. 

 Marielle Franco

A vereadora do PSOL foi assassinada em 14 de março de 2018. Nóbrega chegou a prestar depoimento, mas nunca foi acusado formalmente pelo crime. Ele é apontado como líder do grupo Escritório do Crime, do qual faz parte um dos denunciados, o também ex-PM Ronnie Lessa. 

‘Rachadinha’ na Alerj

A ex-mulher de Nóbrega trabalhou no gabinete de Flávio Bolsonaro de setembro de 2007 a novembro de 2018, junto com sua sogra. Em conversas telefônicas interceptadas pelo MP, capitão Adriano indica que ficava com parte do salário delas. Ele era amigo de Fabrício Queiroz.

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