Morto por tigresa nos EUA era filho de brasileira

Carlos Sousa Júnior, de 17 anos, se definia como ?português e brasileiro?; parede que cercava os felinos era mais baixa que o recomendado

São Francisco, O Estadao de S.Paulo

28 de dezembro de 2007 | 00h00

O freqüentador do Zoológico de São Francisco (Califórnia) morto por uma tigresa que escapou na terça-feira era filho de uma brasileira e de um português. Carlos Sousa Júnior, de 17 anos, nasceu em Berkeley, mas morava em San José, na região da Baía de São Francisco. Carlos e mais dois amigos, cujos nomes não foram divulgados, foram atacados, pouco antes de o zoológico fechar, às 17 horas locais, por Tatiana, uma tigresa siberiana de 4 anos e 136 quilos. Carlos morreu na hora, com um corte na garganta, na frente do recinto dos tigres. As outras vítimas, dois irmãos de 19 e 23 anos, foram perseguidas por quase 300 metros até que quatro policiais, acionados pelo zoológico, conseguiram distrair Tatiana com gritos e a mataram a tiros. Os irmãos foram internados com arranhões e mordidas na cabeça, no pescoço, nos braços e nas mãos, mas devem se recuperar.Não há câmeras de segurança no local, mas a polícia investiga a possibilidade de pelo menos uma das vítimas ter provocado a tigresa, colocando uma perna sobre o fosso do recinto. Isso porque, segundo a polícia, foi achada uma pegada na grade. A investigação vai determinar se a marca veio dos sapatos de uma das vítimas. "Provocando ou não, ninguém merece uma coisa dessas", disse Carlos Sousa, pai da vítima, ao programa Good Morning America. "Animais devem ser protegidos das pessoas e pessoas devem ser protegidas dos animais".O diretor do zoológico, Manuel Mollinedo, disse acreditar que a tigresa escalou uma parede de 3,8 metros de altura que cercava os tigres. Normas da Associação de Zoológicos e Aquários orientam para que a altura mínima dessa parede seja de 4,99 metros. Há pouco mais de um ano, a mesma Tatiana havia arrancado um pedaço de um braço de uma tratadora que a alimentava.Em sua página no site de relacionamentos MySpace, acessada por ele pela última vez no dia do acidente, Sousa Junior incluiu uma bandeira do Brasil. Ele se descreve como "português e brasileiro". "Eu amo minha vida, mas ela vai melhorar. Eu quero ser um DJ, um dia", escreveu. Entre seus temas de interesse, citou jogar basquete, ir ao cinema e ouvir rap. Católico, ele estava no 2º ano do high school, equivalente ao ensino médio brasileiro. Deixa dois irmãos, Leo e Beatriz. NILZA BARROS, COM ASSOCIATED PRESS E REUTERS

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