Douglas Magno/AFP
Chuva causa mortes e deslizamentos de terra na região metropolitana de Belo Horizonte Douglas Magno/AFP

Fortes chuvas e deslizamentos deixam ao menos 30 mortos em Minas Gerais

Grande Belo Horizonte registrou recorde histórico de chuvas nos últimos dias. Sete pessoas ficaram feridas e 17 seguem desaparecidas, segundo a Defesa Civil

Leonardo Augusto, especial para o Estado

24 de janeiro de 2020 | 19h23
Atualizado 25 de janeiro de 2020 | 21h06

BELO HORIZONTE - Subiu para 30 o número de mortos em decorrência das fortes chuvas que atingem Minas Gerais - sete pessoas ficaram feridas e 17 seguem desaparecidas. Há 2.620 pessoas desalojadas e 911 desabrigadas. Parte das vítimas foram soterradas depois de desabamentos de residências. Entre a quinta-feira, 23, e a sexta, 24, foi registrado em Belo Horizonte recorde do volume de chuvas em 24 horas171,8 milímetros. O número anterior era de 164,2 milímetros em 14 de fevereiro de 1978. As marcas envolvem 110 anos de medições. 

Há previsão de mais chuvas neste fim de semana na capital e em cidades já atingidas pelas tempestades no interior. As buscas por desaparecidos seguem ocorrendo nos municípios de Contagem, Betim e Ibirité, além da capital Belo Horizonte. No interior, em cidades como Matipó e Manhuaçu, ambas na Zona da Mata, há relatos nas redes sociais de inundação e pessoas ilhadas.

O prefeito de Belo Horizonte, Alexandre Kalil, esteve na manhã deste sábado na Vila Bernadete no Barreiro, onde os bombeiros continuam buscas por vítimas. Duas mortes foram confirmadas na região. Ele pediu desculpa à população, mas disse se tratar de um desastre natural. "Tenho por hábito não correr das minhas responsabilidades. E não tenho por hábito bancar o herói e botar coisas nas minhas costas que não são. O que aconteceu aqui foi um desastre natural. Estamos falando da maior chuva da história de Belo Horizonte", disse. 

Moradores da região afirmaram ter tentado telefonar para Defesa Civil Municipal e não conseguiram contato na sexta-feira, 24, quando as chuvas atingiram fortemente o bairro. O prefeito disse que, durante parte do dia - o período exato não foi especificado -, o sistema de telefonia da Defesa Civil apresentou problemas que, ainda conforme Kalil, tiveram origem na operadora do serviço.

Um sobrevoo pela áreas atingidas pelas chuvas em Minas deverá ser feito neste domingo pelo ministro da Integração Regional, Gustavo Henrique Rigodanzo Canuto, o governador de Minas, Romeu Zema, e prefeitos.

Dois bombeiros foram soterrados nesta sexta-feira, 24, durante buscas a vítimas em Betim, na Grande Belo Horizonte. Ambos foram resgatados por colegas, encaminhados ao Hospital de Pronto Socorro XXIII, na capital, e liberados durante a madrugada deste sábado, 25. A capital e a região metropolitana são as áreas mais atingidas. Treze das 30 mortes aconteceram em cidades da Grande Belo Horizonte, de acordo com o divulgado até agora:

  • 6 em Betim;
  • 4 em Ibirité;
  • 3 em Alto Caparaó;
  • 3 em Alto Jequitibá;
  • 3 em Simonésia;
  • 2 em Belo Horizonte
  • 2 em Pedra Bonita;
  • 2 em Luisburgo;
  • 1 em Contagem;
  • 1 em Divino;
  • 1 em Santa Margarida;
  • 1 em Manhuaçu;
  • 1 em Tocantins.

O Corpo de Bombeiros informou que 36 cidades do Estado registram neste sábado vítimas e danos por causa das chuvas. Há ainda 2.554 desalojados, 791 desabrigados e sete feridos, segundo informações do coronel Rodrigo Rodrigues, chefe do Gabinete Militar do governo do Estado e coordenador da Defesa Civil em Minas.

O comandante do Corpo de Bombeiros, coronel Edgar Estevão, afirmou que as buscas por desaparecidos podem sofrer paralisações ao longo do dia por causa do encharcamento do terreno. "Temos risco para as próprias guarnições. Em alguns momentos, os trabalhos precisam ser suspenso para avaliação", disse, citando o caso dos dois bombeiros atingidos por deslizamento em Betim enquanto procuravam por soterrados. "Estavam chegando à vítima que procuravam", acrescentou.

Os bombeiros informaram ainda que as buscas não podem contar, ao menos por enquanto, com helicópteros, por causa do teto baixo, ou seja, pela grande concentração de nuvens em baixa altitude sobre as regiões sobretudo no interior atingidas pelas chuvas. "Estamos chegando por terra", afirmou.

No fim da tarde deste sábado, 25, o Corpo de Bombeiros anunciou a localização de mais uma vítima das chuvas em Contagem. Um rapaz de 23 anos identificado como Yury da Costa Andrade, também vítima de desabamento. 

 

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2 crianças morrem soterradas no ES; nº de mortos pelas chuvas chega a 9 no Estado

Meninos de 11 e 10 anos tiveram casas atingidas nas cidades de Conceição do Castelo e Iúna; 12 municípios estão em estado de alerta

Vinícius Rangel, especial para o Estado

25 de janeiro de 2020 | 14h38
Atualizado 25 de janeiro de 2020 | 21h52

VITÓRIA - Duas crianças morreram soterradas na madrugada deste sábado, 25, no Espírito Santo. Segundo o último relatório divulgado pela Defesa Civil, subiu para nove o número de mortos no Estado em decorrência das fortes chuvas que atingem a região nas últimas semanas. Os rios invadiram cidades. Ruas e estradas foram ocupadas pela enxurrada de água e lama que devastaram várias áreas.

A cidade que mais choveu nas últimas 24 horas foi Muniz Freire, com 145.20 milímetros de água. Houve um deslizamento de terra e uma pessoa ficou soterrada. Ela foi resgatada com vida pelo Corpo de Bombeiros. Na cidade de Castelo, choveu 111.02 milímetros, que foram suficientes para deixar a cidade submersa. Da rodoviária do município, só era possível enxergar o telhado.

De acordo com o relatório do governo, 15 casas foram danificadas. Escolas, creches, hospital e as unidades de saúde ficaram alagadas. O abastecimento de água foi interrompido. A captação realizada no Rio Caxixe está assoreada. Uma pessoa segue desaparecida. Outros 4.724 capixabas estão desalojados e 199, desabrigados. 

A universitária Mariely Frasson, de 27 anos, disse que a chuva começou durante a tarde de sexta-feira, 24. “Começou fraca e rapidamente ela aumentou. Nós começamos a ficar assustados com a força da água. Só vimos ela aumentando e entramos em desespero. Não deu tempo de tirar nada de casa. Só conseguimos buscar abrigo. Vimos nossos vizinhos gritando, pedindo socorro. Não tinha como a gente sair do lugar. Ficamos no terraço e, até lá, a chuva chegou. Era muita água. Nunca vi isso."

Em Iúna, duas residências desabaram, quatro pessoas ficaram feridas. No distrito de Córrego Santa Clara, uma criança foi encontrada morta dentro dentro de casa. Otávio Braz Pereira, de 10 anos, veio a óbito após um deslizamento de terra. A casa onde ele estava foi atingida. Os bombeiros e a Defesa Civil foram acionados, mas o acesso ao local dificultou o socorro. 

Em Conceição do Castelo, uma criança de 11 anos também morreu. A vítima foi identificada como Lucas Almeida Zucon. O prefeito da Cidade, Christiano Spadetto, contou que o menino morreu na madrugada deste sábado, enquanto estava dormindo no quarto. O local foi atingido pela enxurrada de água e lama. “A família estava dormindo e só perceberam de manhã. Eles não ouviram nenhum barulho e, quando foram ver a criança, ela já estava em óbito”, disse o gestor municipal.

Em Cachoeiro do Itapemirim, cidade vizinha, o problema maior foi o rio do município, de nome homônimo. Com as fortes chuvas nos municípios vizinhos, o curso d'água chegou a mais de seis metros acima do normal. Com a força da água, a cabeceira da ponte foi destruída. Ruas e avenidas ficaram alagadas. “Eu moro aqui há quase dez anos e nunca vi esse cenário devastador. O rio está levando a cidade aos poucos. Já subimos alguns móveis e retiramos o que conseguimos do primeiro andar. Tem loja que não deu tempo de tirar nada. Está todo mundo assustado. O rio está dentro da minha casa”, disse a servidora pública Greyci Armani.

“O nosso Estado continua sofrendo com as fortes chuvas. Nesse fim de semana, aumentou o número de mortos e desalojados. Recebemos notícias de que ainda existe uma barragem em Alegre, que pode romper a qualquer momento e atingir a região. As famílias do entorno já foram retiradas. Há ainda uma previsão de mais chuva e estamos em alerta. Os níveis dos rios de várias regiões estão aumentando. Tem áreas que nós ainda não conseguimos chegar, o acesso está muito difícil. Com isso, acreditamos que o número de mortos e desaparecidos pode aumentar”, informou o comandante do Corpo de Bombeiros, tenente-coronel Wagner Borges.

A cidade de Iconha, o município que mais foi devastado pela chuva, contou com apoio de cerca de 800 pessoas que promoveram um mutirão de limpeza. O comércio, unidades de saúde, hospital e casas receberam limpeza com apoio de diversos órgãos municipais e estaduais. O Exército se instalou na cidade e também ajudou com doação de donativos para os desalojados e desabrigados da região. 

Durante ação no município, o governador Renato Casagrande (PSB) anunciou que o Ministro do Desenvolvimento Regional, Gustavo Canuto, vai sobrevoar as áreas afetadas neste domingo, 26. No fim do dia, haverá uma reunião na sede do governo para apresentar um relatório da destituição no Estado e discutir medidas emergenciais. 

Rio Doce 

No fim da tarde deste sábado, 25, a estação de Governador Valadares, em Minas Gerais, atingiu a cota de alerta e é esperado que se atinja também a cota de inundação neste domingo, 26. O modelo hidrológico aponta que as cheias atingirão o município de Baixo Guandu, cerca de 20 horas após Governador Valadares, Colatina, em 30 horas, e Linhares, em 42 horas. A recomendação é que moradores residentes nas áreas com risco de inundações sejam retirados.

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Governo federal discute plano de ação para municípios afetados pelas chuvas

Governo reconhece situação de calamidade pública no Espírito Santo e decreta situação de emergência em Belo Horizonte e Contagem

Idiana Tomazelli, O Estado de S.Paulo

25 de janeiro de 2020 | 15h19
Atualizado 25 de janeiro de 2020 | 15h56

BRASÍLIA - O governo federal realiza neste sábado (25) uma reunião com diferentes órgãos e agências, sob a coordenação do Ministério do Desenvolvimento Regional, para traçar um plano de ação nos municípios mais afetados pelas chuvas. O Centro Nacional de Gerenciamento de Riscos e Desastres (Cenad) disparou o alerta máximo diante do elevado número de alertas por desastres naturais acionados nos últimos dias.

O ministro do Desenvolvimento Regional, Gustavo Canuto, viaja neste domingo (26) às áreas mais afetadas pelas chuvas em Minas Gerais e no Espírito Santo. A programação é que, às 10h, ele vá aos municípios mineiros e, às 14h, às localidades no Estado capixaba. Além de se reunir com as equipes locais da Defesa Civil, o ministro vai sobrevoar as regiões atingidas.

O governo federal já reconheceu de forma sumária (quando o quadro é tão crítico que a própria União toma a iniciativa de agir) situação de calamidade pública em quatro municípios do Espírito Santo: Iconha, Vargem Alta, Rio Novo do Sul e Alfredo Chaves. Também foi decretada situação de emergência em Belo Horizonte e Contagem.

Em situações como essa, os órgãos se articulam para agilizar ações em suas áreas, como envio de medicamentos e antecipação de benefícios sociais.

Além disso, com o reconhecimento da calamidade ou da situação de emergência, os municípios estão aptos a elaborar seus planos de ação e pedir recursos ao governo federal para ajudar em iniciativas de socorro, assistência, restabelecimento de serviços essenciais ou reconstrução.

Segundo informações do MDR, Belo Horizonte é o município com o plano mais adiantado e deve conseguir a liberação dos recursos já no início da próxima semana. O valor ainda está sendo fechado de acordo com as necessidades emergenciais.

A definição da verba para os demais municípios também depende da conclusão dos seus planos. Representantes do governo federal estão nos locais atingidos desde o último final de semana auxiliando as equipes locais nas ações de socorro, assistência e no dimensionamento dos anos para a elaboração do plano de ação.

Em Minas Gerais, o secretário nacional de Proteção e Defesa Civil, coronel Alexandre Lucas, coordena as ações desde o último domingo (18). Já no Espírito Santo, o coordenador do Cenad, Armin Braun, auxilia os trabalhos na região.

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Vale eleva nível de alerta em barragem de Barão de Cocais

Fortes chuvas atinge a região e mineradora disse ter detectado erosão. Moradores já haviam sido retirados da área por problemas em outra barragem

Leonardo Augusto, O Estado de S.Paulo

25 de janeiro de 2020 | 20h39

BELO HORIZONTE - A mineradora Vale informou ter detectado erosão no reservatório da barragem Sul Inferior, na cidade mineira de Barão de Cocais. Fortes chuvas atingem a região e já deixaram 30 mortos até este sábado, 25. A situação fez a empresa elevar o nível de alerta de 1 para 2, numa escala que vai até 3. A elevação implicaria a necessidade de retirada das pessoas de zonas mais próximas, mas isso já foi feito por problemas em outra barragem da região.

O alerta ocorre um ano após o rompimento da barragem de Brumadinho, que aconteceu em 25 de janeiro de 2019, deixando 259 mortos e 11 desaparecidos. A barragem Sul Inferior integra a mina Gongo Soco. A mesma mina abriga a barragem Sul Superior, que foi colocada em nível máximo de alerta, o que significa risco iminente de rompimento, em fevereiro de 2019. 

Segundo a Vale, "a Sul Inferior é uma barragem de contenção de sedimentos, construída em etapa única, considerado um dos métodos construtivos mais seguros. Embora apresentasse estabilidade, a estrutura encontrava-se em nível 1 porque está localizada a jusante da Sul Superior, que se mantém em nível 3".

A empresa disse ainda que "a Sul Inferior é monitorada permanentemente por câmeras de vídeo e pelo Centro de Monitoramento Geotécnico. Em decorrência das chuvas acima dos limites da normalidade, a Vale reforçou o número de equipes de campo em prontidão para eventuais situações de emergência".

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Chuvas causam estragos e deixam famílias desalojadas no norte e noroeste do Rio

Defesa Civil diz monitorar condições meteorológicas e níveis pluviométricos. Em Bom Jesus do Itabapoana, 22 famílias vivem sob risco de deslizamento

Daniela Amorim, O Estado de S.Paulo

25 de janeiro de 2020 | 20h55

RIO - As chuvas intensas dos últimos dias causaram estragos em municípios do norte e noroeste fluminense. No município de Bom Jesus do Itabapoana, a Defesa Civil local encontrou cerca de 22 famílias vivendo em áreas sob risco de deslizamento no bairro Santa Rosa. Uma rua foi interditada. De acordo com a prefeitura, os moradores foram cadastrados e seriam encaminhas para um abrigo municipal.

O Rio Itabapoana transbordou, e famílias que ficaram ilhadas foram resgatadas pelo Corpo de Bombeiros e por agentes da Defesa Civil na madrugada deste sábado, 25. Vários pontos da cidade ficaram alagados.

O Rio Muriaé também transbordou, deixando vários municípios em estágio de alerta, entre eles Itaperuna. A prefeitura local emitiu alerta na última quinta-feira, 23, recomendando que os habitantes que moram em edificações que ficam debaixo ou sobre barrancos procurassem alojamento na casa de parentes ou vizinhos.

Em Campos dos Goytacazes, a chuva provocava transtornos também deste a tarde de quinta-feira. Neste sábado, equipes do Grupo de Emergência em alagamentos trabalhavam em diferentes bairros. Na região de Santo Eduardo, três famílias ficaram desalojadas depois que o Canal da Onça transbordou. Os moradores foram levados para casa de parentes e amigos.

A Secretaria de Defesa Civil do Estado do Rio de Janeiro informou que “está atuando na Região Norte/Noroeste em apoio aos municípios atingidos pelas fortes chuvas”.

“O Cemaden-RJ (Centro Estadual de Monitoramento e Alerta de Desastres Naturais) segue monitorando as condições meteorológicas e os níveis pluviométricos. Agentes estaduais estão in loco dando apoio técnico. Também foi realizada a entrega de material de ajuda humanitária (colchões e kits dormitórios com lençol, cobertor, travesseiro e fronha)”, informou a secretaria, em nota.

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