Mortos pelas chuvas no Rio chegam a 103; capital entra em alerta máximo

Entre os locais mais atingidos estão Niterói, com 48 vítimas, e a cidade do Rio, com 36 pessoas mortas; maioria das vítimas morava em áreas de encostas; 1410 estão desalojados

estadão.com.br

06 de abril de 2010 | 08h05

 

Resgate de vítimas no Morro dos Prazeres, zona norte do Rio. Foto: Marcos de Paula/AE

 

SÃO PAULO/NITERÓI - O maior temporal da história do Rio de Janeiro nos últimos 44 anos causou deslizamentos, destruição, colapso na infraestrutura, nos transportes e já deixou 103 mortos. De  acordo com levantamento feito nas prefeituras e no governo do Estado. foram 48 mortes  em Niterói, 16 em São Gonçalo, 36 na capital, dois na Baixada Fluminense e um em Petrópolis, na região serrana. A maioria das vítimas morava em áreas de encosta, como no Morro dos Prazeres, em Santa Tereza, onde os deslizamentos mataram 14 pessoas.  

 

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A prefeitura do Rio informa que são 1.410 desabrigados, 368 desalojados, 56 feridos e quatro desaparecidas. Oito bombeiros ficaram gravemente feridos na tentativa de resgate em Niterói.  Em entrevista coletiva no fim da tarde, o prefeito do Rio, Eduardo Paes (PMDB) voltou a pedir para que os cariocas fiquem em casa e decretou feriado para as escolas municipais nesta quarta. O governador do Rio, Sérgio Cabral (PMDB) decretou luto oficial de três dias pelas vítimas.

 

O sistema Alerta Rio, da Prefeitura, informou que o município entrou em alerta máximo na tarde desta terça. A alteração é caracterizada pela previsão de fortes chuvas e a possibilidade de alagamentos e deslizamentos na região. O anúncio foi feito às 15h45. As áreas em preto apontam os pontos da cidade em alerta máximo. As regiões mais afetadas pelas chuvas são Niterói, São Gonçalo, Grajaú, Tijuca, Santa Tereza e Rio Comprido.

 

 

 

 

Serviços

 

Por conta da dificuldade de locomoção e por questões de segurança, alguns serviços foram suspensos em toda a cidade do Rio.

 

O Ministério Público, por exemplo, suspendeu as atividades em todo o Estado. A Prefeitura recomendou que fossem suspensas as aulas na rede municipal de ensino. A rede estadual também cancelou as aulas e as autoridades pedem às escolas particulares que também suspendam as atividades.

 

O Departamento Estadual de Trânsito (Detran), que também suspendeu os serviços agendados para esta terça-feira, 6, orienta seus clientes a não sair de casa, seguindo recomendações da Defesa Civil estadual. O presidente do Departamento, Fernando Avelino, disse que os clientes que tinham serviços agendados para hoje terão prioridade no atendimento nos próximos dez dias.

 

Falta de luz

 

Quatorze bairros do Rio permaneciam sem energia elétrica por volta das 18h10. De acordo com a Light estão às escuras trechos dos seguintes bairros: Tijuca, Botafogo, Laranjeiras, São Conrado, Santa Teresa, Rio Comprido, Jardim Botânico, Gávea, Jacarepaguá, Meier, São Cristóvão, Santa Cruz, Campo Grande e Botafogo. Especificamente em Botafogo, o alagamento de galerias subterrâneas dificultam o acesso das equipes da empresa aos cabos e equipamentos.

 

PM abre quartéis

 

Para atenuar os efeitos do temporal, a Polícia Militar abriu vários quartéis da cidade para abrigar a população que não consegue retornar para casa. "Os batalhões serão a solução provisória enquanto os governos providenciem o devido acolhimento. E a população em trânsito encontrará nos batalhões um local seguro para aguardar a estiagem", disse Coronel Millan.

 

Além disso, a Polícia Militar está realizando ações táticas nas ruas com equipes de motociclistas do Batalhão de Choque (BPChq) que estão em pontos-chave, onde a retenção do trânsito possa se tornar risco de assalto para os motoristas.

 

As aeronaves e embarcações do Grupamento Aéreo Marítimo (GAM) estão à disposição da Defesa Civil para apoio em suas ações de resgate, bem como o Batalhão de Operações Policiais Especiais (BOPE).

 

Estragos no Museu Casa do Pontal

 

O Museu Casa do Pontal, localizado no Recreio dos Bandeirantes, na zona oeste do Rio, também amanheceu alagado. A tempestade invadiu e danificou a galeria de exposição permanente. O museu abriga obras das variadas culturas rurais e urbanas do Brasil.

 

Os poucos funcionários que conseguiram chegar ao local hoje cedo transportaram as obras para o segundo andar do prédio. A água chegou a atingir a marca de 60 centímetros.

 

Segundo a assessoria do estabelecimento, essa é a primeira vez que o museu, inaugurado em 1976, fica alagado. A diretoria ainda vai avaliar os danos causados ao acervo. Devido ao alagamento, não há previsão para a reabertura do museu.

 

Imagem do alagamento no Museu Casa do Pontal, no Recreio do Pontal, zona oeste do Rio

 

(Reportagem de Fabiana Marchezi, Priscila Trindade, Solange Spigliatti e Agência Estado)  

Texto atualizado às 19h42.

 

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