Mostrar fotos do dossiê é mais grave que complô, diz Garcia

O presidente do PT e coordenador da campanha à reeleição do presidente Luiz Inácio Lula da Silva, Marco Aurélio Garcia, afirmou nesta quinta-feira que o episódio da divulgação das fotos do dinheiro que pretenderia comprar dossiê contra tucanos "é mais grave que uma conspiração contra o PT". Para o dirigente, foi "um problema de sonegação de informação à opinião pública do País". Ele argumentou que organizações não-governamentais estão avaliando o comportamento da imprensa na eleição e não quis aprofundar sua análise."É melhor que essa investigação seja feita por organismos da sociedade civil", avaliou. Garcia disse que, em sua opinião pessoal, assim como o PT e os partidos terão que pensar sobre os problemas que enxerga com um novo período da política brasileira, os principais órgãos de comunicação também precisarão fazer uma reflexão profunda. "A impressão que eu tenho é que uma grande parte da imprensa brasileira se dissociou da chamada opinião pública", acrescentou, em entrevista na sede do PT gaúcho, onde está para preparar a visita de Lula neste sábado, dia 21, ao Rio Grande do Sul."Tradição golpista"Garcia também disse que, apesar do Brasil ter uma "tradição golpista", não acredita que prosperem ameaças de impeachment num eventual segundo governo petista porque o povo estaria ao lado de Lula. Apesar da séria de investigações de corrupção envolvendo o governo, Garcia afirma que tentativas de impedimento do presidente seriam como tentar "ganhar no tapetão". "Como no futebol, se ganha no campo, não se ganha no tapetão. Quem está querendo ganhar no tapetão eu acho que vai se dar muito mal", disse o coordenador, que também é presidente interino do PT.Na mesma entrevista, o coordenador da campanha de Lula negou ter informações sobre a possível participação do ex-ministro José Dirceu no episódio da compra do dossiê para tentar incriminar políticos tucanos no escândalo das sanguessugas. "Acho um pouco estranho. Parece-me que o José Dirceu tem se dedicado às suas atividades de advogado e ao blog que criou", afirmou. "Mas sendo verdade ou não, o que me parece duvidoso, não altera nossa posição de esclarecer os fatos". Garcia lembrou que ofereceu a abertura do sigilo bancário das contas do PT à Justiça e aos promotores que investigam o caso do dossiê e pediu ainda que caia o segredo de justiça da investigação. "O melhor que se pode fazer é abrir a investigação para que se tenha transparência absoluta, que a imprensa seja informada corretamente, sem vazamentos", disse. "Nossa preocupação é terminar com esse clima de suspeitas".

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