Motins em 50 cadeias deixam SP em alerta

Por celular, em apenas 1h30, PCC parou todos os CDPs e 14 presídios

Josmar Jozino e Chico Siqueira, O Estadao de S.Paulo

26 de dezembro de 2007 | 00h00

Detentos ligados ao Primeiro Comando da Capital (PCC) voltaram a desafiar o governo e, com o uso de celulares, articularam em 1h30 um protesto em série nas prisões paulistas, na véspera do Natal. Eles se recusaram a voltar para as celas, após o horário do banho de sol, na tarde de segunda-feira. A manifestação atingiu os 36 Centros de Detenção Provisória (CDPs) do Estado, além de 14 penitenciárias de regime fechado da Grande São Paulo e do interior paulista.A Secretaria da Administração Penitenciária (SAP) informou que a manifestação foi encerrada só às 21 horas de segunda. Nenhum funcionário foi feito refém. Mas, depois do protesto, os agentes penitenciários de todo o Estado entraram em alerta máximo. "Estamos de prontidão", confirmou o carcereiro da Penitenciária 2 de Mirandópolis, na região de Presidente Prudente. "Nem nós sabemos direito o que está acontecendo."Segundo os servidores, o protesto foi motivado pela transferência de dois presos da Penitenciária de Araraquara, ligados ao PCC. Os dois estariam num grupo de 20 que foram removidos na manhã de segunda-feira de Avaré para penitenciárias da região noroeste, mas no meio do trajeto teriam sido retirados e colocados em outro comboio. O receio do PCC era de que os dois líderes fossem assassinados ao serem colocados em presídios dominados por facções rivais. Só depois da confirmação de que os dois estavam em Araraquara é que os protestos terminaram. Diretores também ameaçaram autorizar a entrada da Tropa de Choque para pôr fim aos protestos em algumas unidades.FAXINASAs ligações de celulares entre as unidades mobilizaram primeiro os faxinas, detentos que ficam encarregados da limpeza e da alimentação dos colegas, e se encarregaram de ampliar o motim. Também com celulares, os presos já organizaram, em poucos minutos, uma rebelião em série em 74 presídios do Estado, em maio de 2006. Em Franco da Rocha, onde tudo começou, o protesto atingiu três penitenciárias de regime fechado e um CDP. Às 16 horas de segunda-feira, quando terminava o horário de banho de sol dos 840 detidos, todos ficaram no pátio.Às 16h10, os telefones do CDP de Franco da Rocha não paravam de tocar. Eram colegas do CDP Belém, na zona leste, querendo saber se os presidiários haviam se recusado a entrar nas celas. Do outro lado da linha, um agente informava que a mesma situação acontecia nos CDPs 1 e 2 do Belém. Funcionários dos CDPs 1 e 2 de Osasco, da Vila Independência, de Itapecerica da Serra, de Guarulhos e de vários locais no interior também confirmavam o movimento. A manifestação só não teve adeptos em Sorocaba, onde o Comando Revolucionário Brasileiro da Criminalidade (CRBC) e o Terceiro Comando da Capital (TCC) dominam as cadeias.Na avaliação de agentes penitenciários, o protesto foi mais um desafio do PCC ao governo e às autoridades do sistema prisional. "O que eles fizeram foi tentar dar mais uma demonstração de força. ", argumentou um funcionário. A SAP determinou realização de revistas na maioria das unidades atingidas pelo movimento. Uma delas foi em Dracena, onde os detentos demoraram mais tempo para retornar às celas, depois das 20h30. Outra unidade que passou por blitz foi a de Riolândia. A secretaria não informou se tomará outras medidas. Ontem, o clima foi de tranqüilidade nas principais cadeias paulistas. Às 18h20, todos os presos já haviam sido trancados em suas celas, depois do banho de sol, e não havia notícia de problemas.

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