Motor do King Air teria falhado

Suspeita surgiu da análise visual das hélices do avião que caiu em Trancoso; liberação de corpos poderá atrasar

Bruno Tavares, Eliana Frazão, Rodrigo Brancatelli e Vitor Hugo Brandalise, O Estadao de S.Paulo

26 de maio de 2009 | 00h00

A Aeronáutica já reuniu indícios de que um dos motores do Super King Air B-350 teria falhado minutos antes da queda, ocorrida na noite de sexta-feira num condomínio de luxo em Trancoso, no sul da Bahia. O acidente que deixou 14 mortos - dez parentes do empresário paulista Roger Ian Wright - deve começar a ser elucidado hoje, com a degravação da caixa-preta do avião. Após uma inspeção preliminar, os militares decidiram tentar degravá-la nos laboratórios da empresa Táxi Aéreo Marília (TAM), em Jundiaí, no interior de São Paulo. Os dois motores do turboélice começam a ser periciados hoje no Comando Geral de Tecnologia Aeroespacial (CTA), em São José dos Campos. A suspeita de que um deles parou repentinamente de funcionar surgiu da análise visual das hélices, feita por militares do 2º Serviço Regional de Investigação e Prevenção de Acidentes (Seripa-2), do Recife, ainda no local do acidente. Peritos ouvidos pelo Estado dizem que uma hélice "fria", sem rotação, costuma apresentar deformidades diferentes de uma em funcionamento. Enquanto a primeira fica quebradiça, a outra tende a se "moldar" à barreira com a qual se chocou.Testemunhas disseram que o avião já parecia avariado antes da queda e da explosão. Parte dos depoimentos foi confirmada na 2ª Delegacia Circunscricional de Porto Seguro, onde foi aberto inquérito criminal para apurar as causas do acidente. Até ontem, oito pessoas haviam sido ouvidas. O delegado Rafael Zanini, responsável pelas investigações, vai pedir à Justiça o encaminhamento dos resultados da Aeronáutica, para anexar ao inquérito.Em nova vistoria no local do acidente, ontem, seguranças do Aeroporto do Resort Terravista encontraram "material biológico" junto aos destroços do avião - onde ficava a cabine de comando. Na tarde de ontem, peritos do Departamento de Polícia Técnica (DPT) de Porto Seguro estiveram no local e encaminharam o material encontrado ao Instituto Médico-Legal (IML) de Salvador.Isso deve atrasar os trabalhos dos peritos, que esperavam à tarde concluir em 48 horas a identificação de todos os 14 corpos. Segundo o diretor do IML, Raul Barreto, a identificação só dependia da chegada de material genético colhido pela manhã, no IML de São Paulo. Ainda aguardam identificação os corpos de Vera Lúcia Mécio, Lucila Lins, Rosângela Barbosa, do copiloto Nelson Fonseca e da menina Nina Pinheiro.A família de Roger espera somente a liberação de todos os corpos para marcar uma missa ecumênica, que deve ocorrer provavelmente na quinta-feira, no Sumaré. O meio-irmão de Roger Christopher Apostol veio da Suíça e está em Salvador tratando da documentação para o transporte dos corpos a São Paulo e para o funeral coletivo.MEIOS-IRMÃOSAlém de Christopher, o empresário tinha outros três meios-irmãos - James Richard Wright, Carlos Eduardo Wright e Marina Wright Arnesen. Filhos de Carlos Wright e Maria Paula Santos, os três vivem em São Paulo. Depois que o casal se separou, Carlos casou com Ellen Rotschild, com quem teve Roger - Ellen vive hoje na Suíça e ainda não há confirmação se virá a São Paulo.

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