Motorista bate, muro cai e mata três crianças

Três crianças morreram e duas ficaram gravemente feridas hoje em um acidente em Bonsucesso, zona norte do Rio. Durante manobra o motorista de um caminhão que retirava entulho de uma obra da escola municipal Dilermando Cruz - José Carlos Fontes de Góes, de 41 anos - bateu no portão e no muro, provocando a queda parcial. As cinco crianças estudavam em um colégio próximo, a escola municipal Yuri Gagarin e voltavam para casa quando foram atingidas pelo muro.Os irmãos Cassiano Cerejo Lima, de 7 anos, e Emanoel Cerejo Lima Junior, de 9, foram soterrados e morreram no trajeto para o hospital geral de Bonsucesso. Eles estavam com a irmã, Romana Cerejo Lima, de 5 anos, que teve fratura na bacia e está internada em estado grave. Os irmãos Lúcio Flávio da Silva, de 9 anos, e Lucas William da Silva, de 7, também foram atingidos. Lúcio Flávio morreu na hora. Lucas fraturou a perna direita e foi submetido a uma cirurgia. Seu estado é regular.A mãe de Lúcio Flávio, Ângela Maria da Silva, de 36 anos, se desesperou ao reconhecer o corpo do filho - que morreu no local. Em estado de choque, ela foi levada por bombeiros até o hospital, para saber do estado de saúde do filho Lucas.A área foi isolada pela Defesa Civil. A estudante Jéssica Silva de Oliveira, de 14 anos, que testemunhou o acidente, contou que o motorista foi avisado por pessoas que passavam pelo local sobre o risco de queda do portão e desabamento do muro. "Ele não deu atenção e continuou manobrando o caminhão. Sabia o que estava fazendo", disse Jéssica, que estuda na 7ª série da escola.O delegado Marco Castro, da 21ª Delegacia Policial (Bonsucesso), ouviu o motorista José Carlos Fontes de Góes e o liberou. Góes contou que trabalhava havia quatro meses na retirada de entulho da obra de construção da cobertura da quadra da escola e que nunca houve acidentes."Percebi quando a caçamba do caminhão se prendeu ao portão e parei", disse Góes, eximindo-se de culpa. "A distância do caminhão para o portão era de mais de meio metro, mas a traseira se inclinou." O motorista contou ainda que ajudou a socorrer as crianças.Um vizinho da escola disse que os guardas municipais que deveriam patrulhar a frente do colégio durante os horários de entrada e saída não estavam no local no momento do desabamento. "Eles estão sempre longe, conversando", afirmou, sem se identificar.

Agencia Estado,

29 de maio de 2001 | 20h36

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