Motorista compra ''CNH escolar''

Candidato a dirigir perua admitiu ter adquirido dois certificados falsificados no Largo 13 de Maio, zona sul de SP

Camilla Haddad e Daniel Gonzales, O Estadao de S.Paulo

26 Fevereiro 2009 | 00h00

O autônomo Almir Nunes da Silva, de 50 anos, foi levado ao 12º Distrito Policial (Pari), ontem à tarde, acusado de apresentar dois documentos falsos para se credenciar como motorista de perua escolar em São Paulo. Silva foi surpreendido por policiais no Departamento de Transportes Públicos (DTP), na Rua Santa Rita, no Pari, zona leste. Ele confessou a um PM ter comprado os documentos de um ambulante no Largo 13 de Maio, na zona sul. À noite, ele foi liberado até que os documentos sejam periciados."Ele (Silva) alegou ter comprado as credenciais por R$ 280 no largo, de um conhecido perto de um Poupatempo", afirmou o sargento da Polícia Militar Márcio Antônio Pereira, ligado à Divisão de Fiscalização do Departamento Estadual de Trânsito (Detran). Ainda segundo o policial, Silva apresentou duas credenciais: a de Cadastro de Condutores do Sistema de Transporte Público Municipal e uma carteira do Detran, com curso para habilitação de transporte escolar, válida até 2012. "Nós desconfiamos de uma colagem feita artesanalmente nos documentos", disse.De acordo com o policial, Silva chegou ao DTP dirigindo um ônibus com uma tarja amarela escrito "escolar". "Seria um risco muito grande para as crianças, pois todo motorista de perua passa por um curso de direção defensiva, além de treinamento específico para lidar com crianças. E, no caso desse motorista, nada era verdadeiro, a não ser sua habilitação para automóveis."Além dos documentos suspeitos, o policial comentou que o ônibus ainda tinha um adesivo do governo do Estado. "Outra coisa que precisamos checar", disse o PM. Segundo o policial, não é comum aparecer no DTP motoristas com documentação falsa. A polícia não informou se Silva já tinha passagem por outra ocorrência.A venda de atestados e outros documentos na região do Largo Treze já foi alvo de várias operações da polícia. Em março do ano passado, agentes do Departamento de Investigações sobre Crime Organizado (Deic) prenderam três pessoas envolvidas em um esquema para fornecimento de atestados frios. Na ocasião, a quadrilha utilizava até mesmo formulários de hospitais públicos e da Secretaria de Estado de Saúde para produzir os documentos falsificados.

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