Motorista de ônibus culpa manutenção por acidente

A falta de manutenção mecânica pode ter provocado o capotamento do ônibus da Viação Itaim Paulista, nesta sexta-feira, na Penha, mas alguns passageiros culpam o motorista Elias Amâncio de Oliveira, de 46 anos, pelo acidente. Segundo Oliveira, o eixo principal do veículo quebrou, e a "roda traseira praticamente ficou solta". Os pneus também aparentavam estar carecas. "Nós avisamos o motorista do barulho estranho que o ônibus estava fazendo. Dava a impressão de que caía ferro na rua", contou a vendedora Maria Aparecida da Silva, de 38 anos. Ao lado do filho, Roberto, de 9, ela voltava da Universidade Bandeirantes, onde tinha ido vender alguns salgados. Ela teve um corte no dedo e o filho feriu-se no braço. Ainda segundo Maria, o motorista parou o veículo na altura da Praça da Penha, desceu, verificou a parte inferior do carro e depois retomou o percurso, dizendo que "dava para seguir viagem". Cerca de 500 metros depois da praça, o veículo tombou.Na 10ª Delegacia, da Penha, onde a ocorrência foi registrada pelo delegado Marcos Gercke, Oliveira disse que não havia percebido nada de estranho. "Se houve algum problema, foi problema mecânico. Eu não tenho culpa", desabafou. "Eu subi novamente no ônibus, e os passageiros gritavam para eu prosseguir a viagem. Se o eixo quebrou é porque faltou manutenção." O trabalho de revisão e manutenção nos carros da empresa é feito de quatro em quatro meses. O motorista não soube dizer quanto tempo de uso tem o ônibus. "O meu trabalho é olhar o óleo, água e bater pneu", argumentou. Ele disse também que descia a Avenida Amador Bueno da Veiga a uma velocidade de 30 quilômetros por hora. "É só verificar o tacógrafo." Oliveira trabalha há 13 anos como motorista e afirmou que esse foi o primeiro acidente grave que sofreu na profissão. Ele ficou ferido na mão esquerda e foi atendido no PS Jardim Iva. O vendedor Mauro Lino Marques, de 21 anos, disse que o barulho havia sido notado desde a Avenida Celso Garcia. "O motorista não estava em alta velocidade", garantiu. A maioria dos passageiros era de trabalhadores e estudantes que estavam retornando para casa. O laudo do Instituto de Criminalística (IC) da Polícia Civil, que deve ser divulgado em 15 dias, vai revelar as causas do acidente. Se ficar comprovada a culpa do motorista, ele pode pegar de 6 meses a 2 anos de reclusão e, em caso de morte, de 2 a 4 anos de reclusão.

Agencia Estado,

10 de março de 2001 | 18h19

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