Motorista de van tinha 3 infrações

Condutor de veículo onde morreram 4 havia sido multado por velocidade

Clarissa Thomé, RIO, O Estadao de S.Paulo

03 Julho 2009 | 00h00

O motorista Carlos Alberto de Souza, de 57 anos, que dirigia a van escolar em que morreram quatro alunos do Colégio Pedro II, na tarde de anteontem, já havia sido multado duas vezes por excesso de velocidade e uma vez por transporte escolar ilegal. Indiciado por quatro homicídios culposos (sem intenção) e seis lesões corporais culposas, ontem ele foi libertado por força de um habeas corpus. Souza pediu perdão às famílias das crianças que transportava e negou culpa no acidente, em que seu veículo se chocou contra um reboque. Dos seis alunos feridos, quatro permanecem internados. Um deles em estado gravíssimo. Abatido e emocionado, Souza referiu-se aos alunos do Pedro II como seus "anjinhos". "Tem crianças ali que eu transportava há 8 anos e eu os tinha como meus filhos. Vi essas crianças crescerem", afirmou. Souza contou que estava na pista do meio da Linha Vermelha e foi para a faixa da esquerda. Ele tentava voltar para a pista central, quando um ônibus teria se antecipado. "O ônibus acabou me pressionando e eu tive de voltar rapidamente para a esquerda. Dei de cara com o reboque. Não deu tempo nem de frear. Foi horrível para mim. Tirei algumas crianças do carro, mas depois não me deixaram mexer mais. Foi muito triste. Peço perdão a quem teve as suas perdas, gostaria que o tempo voltasse, mas eu não posso, infelizmente." DEPOIMENTO Em depoimento à polícia, Souza disse que trafegava a 40 quilômetros por hora e que o pisca-alerta do reboque não havia sido acionado. A informação é contestada pelo motorista do reboque e pelo motorista de outro veículo, que havia acionado o socorro. Souza disse ainda que pagava R$ 76 mensais para fazer parte do cadastro da Associação de Pais do Pedro II. A direção do colégio informou que não sabia que havia cobrança de cadastro e decidiu convocar uma reunião para debater o transporte escolar. "O transporte escolar é feito por contrato particular entre os pais e os motoristas. O Pedro II não tem qualquer responsabilidade por esse serviço", afirmou o diretor do colégio, Gentil Machado. RISCO Os corpos das quatro crianças mortas no acidente - Raiane da Silva Souza, de 14 anos, Esther Reis Fernandes da Rocha, de 8 anos, ambas filhas únicas, Vinícius Lopes da Silva, de 11, e André Lucas Couto Teles, de 7 - foram enterrados na tarde de ontem. Entre as crianças internadas, o caso mais grave é o do menino Mateus Couto Teles, de 8 anos, irmão de André Lucas. Ele está na Unidade de Terapia Intensiva do Hospital Miguel Couto e corre risco de morte. O menino respira com auxílio de aparelhos, teve traumatismo craniano e múltiplas fraturas pelo corpo.

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