Motorista do caminhão é enterrado em Francisco Morato

O motorista Francisco Sabino Torres, de 46 anos, terceira vítima da tragédia nas obras da linha 4 do Metrô, na zona oeste de São Paulo, foi enterrado na manhã desta quinta-feira, 18. Ele trabalhava no Consórcio Via Amarela, responsável pela obra. O caminhão no qual ele estava foi engolido pela cratera. Cerca de 150 pessoas, entre parentes e amigos, participaram da cerimônia no Cemitério Jardim da Alegria, em Francisco Morato, na Grande São Paulo. O secretário estadual de Justiça, Luiz Antônio Guimarães Marrey, esteve no local representando o governador José Serra (PSDB). O corpo dele foi encontrado na madrugada desta quarta-feira, 17. Seu irmão, José Afonso Torres, que era encarregado de obras, afirmou que segundo colegas de serviço, Francisco teria ouvido um estalo antes de todos os que estavam no local, avisou os colegas, deixou a área, mas voltou para buscar a carteira. No ano passado, em outro acidente na Linha Amarela do Metrô, Francisco ajudou a socorrer algumas vítimas. ?Mas desta vez não deu?, disse o irmão, revelando que Francisco estava no emprego há 1 ano e 5 meses.HomenagemCerca de 80 vizinhos foram na noite de quarta-feira ao velório do motorista, na Rua Santa Terezinha, periferia de Francisco Morato, Grande São Paulo. Torres foi velado na casa recém-construída para a família, uma parte pintada de laranja e branco, outra de amarelo e preto, mas ainda sem acabamento interno. ´Ele dizia ´eu quero assim, do meu gosto´´, disse o vizinho que se identificou como Irineu, que ajudou a construir o sobrado do amigo. ´Nem tem luz ainda, montamos uma gambiarra para iluminar, velamos o corpo para homenagear a casa que ele não conseguiu aproveitar.´Marcado para as 17 horas, o velório do motorista só começou às 21 horas, dez minutos depois de três viaturas da Polícia Militar e carros da funerária chegarem ao sobrado. Uma mulher desmaiou logo que viu o caixão ser carregado.Clemilton Isídio da Silva, mecânico de 38 anos, conheceu o motorista logo que se mudou para a rua. Na época, Silva tinha 13 anos. ´Chico Doido era o apelido dele. Doido porque sempre ajudou todo mundo, não tinha tempo ruim. Era um companheiro, sempre estava à frente dos mutirões, da associação de bairro. Um guerreiro mesmo´, disse.´Ele tinha um mercadinho aqui, sua situação era estável, cansou de me emprestar dinheiro, de me vender fiado. Gente finíssima. Não deve ter um na vila que não foi ajudado por ele´, completou Ênio Machado, aposentado que conheceu Chico Doido há seis anos.O cunhado de Chico, Antônio Sabino Torres, disse que o motorista estava animado para terminar o acabamento do sobrado e se mudar com a família - eles moravam logo em frente, numa casa térrea ao lado do mercadinho.O cunhado contou que Chico era muito dedicado ao trabalho e estava sempre acompanhado do amigo José Arimatéia da Silva, que conheceu em obras do Metrô. ´Eles trabalhavam 15 dias no turno da noite e 15 no do dia. Andavam 30 minutos a pé e pegavam três trens até a obra, duas horas pra ir e duas pra voltar.´ Colaborou Rodrigo Pereira

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.