Motorista enfrenta até 14 horas no trajeto entre litoral e SP

Enchentes interditam a Oswaldo Cruz, e Tamoios passa a ser a única opção dos turistas que deixam Ubatuba

João Carlos de Faria, especial para o Estado,

03 Janeiro 2010 | 18h17

Tráfego intenso na Rodovia dos Tamoios, única alternativa entre Ubatuba e o planalto

 

UBATUBA, SP - Os turistas que deixaram Ubatuba nesse domingo, na volta do feriadão, tinham duas opções para subir a serra: ou enfrentavam até 14 horas nas rodovias da região ou fretavam uma aeronave. Quem estava de carro teve que enfrentar um enorme congestionamento na rodovia Rio-Santos (BR 101), levando até oito horas para chegar a Caraguatatuba.

 

especialAcompanhe a situação das rodovias na volta do feriado

 

De Caraguatatuba até São José dos Campos, pela rodovia dos Tamoios, a viagem estava sendo feita em seis horas. Apesar da demora, essa era a única alternativa que os motoristas tinham para chegar à via Dutra ou à Carvalho Pinto, rumo à capital.

 

A rodovia Oswaldo Cruz (SP-125), que liga Taubaté a Ubatuba, que seria outra opção de retorno, está interditada em dois pontos, devido às enchentes do rio Paraitinga e do ribeirão do Chapéu, que atingiram duas pontes, próximas a São Luís do Paraitinga, no quilômetro 45 da rodovia.

 

Pelo ar, de acordo com a Helicharter, empresa que opera com aluguel de helicópteros, em Ubatuba, diversos voos foram realizados para Taubaté e São José dos Campos, além de quatro que haviam partido da cidade com destino a São Paulo, nesse domingo. O voo para cinco pessoas custa R$ 4,5 mil.

 

Oswaldo Cruz

 

Na rodovia Oswaldo Cruz, no km 43, a ponte sobre o rio Paraitinga ainda permanece interditada, por causa dos estragos provocados pelas águas do rio, que já baixaram, mas deixaram uma enorme cratera na pista, no sentido Taubaté.

 

Em entrevista concedida no sábado, 2, em São Luís do Paraitinga, o secretário de Transportes Mauro Arce, disse que no local será construída uma ponte de madeira, para passagem emergencial. "Isso não deve demorar. O problema é só chegar o material ao local", afirmou.

 

Arce disse que técnicos do Departamento de Estradas de Rodagem (DER) examinaram a estrutura da ponte e não identificaram nenhum problema grave.

 

Dutra

 

A rodovia Presidente Dutra chegou a ter um congestionamento de até 20 quilômetros de extensão também na tarde desse domingo, na altura do km 102, em Pindamonhangaba, onde afundou parte da pista e do acostamento, sentido São Paulo.

 

No local, o tráfego foi desviado para a pista sentido Rio de Janeiro, que ficou com duas mãos de direção, o que também acabou provocando congestionamento. Nas demais rodovias da região, inclusive a Floriano Rodrigues Pinheiro (SP 123), o transito de veículos estava normal.

 

Motoristas tentam passar o tempo

 

O publicitário Roberto de Oliveria, 27, viaja para São Paulo com a mulher, uma filha de quatro anos e mais três amigas. Eles estavam parados em um posto de gasolina no trecho da BR 101, rodovia Mario Covas, que liga Ubatuba a Caraguá. Roberto afirmou que sabia que o tempo de viagem até Caraguá seria acima de 10 horas. Segundo ele, durante a viagem a turma iria "matar" o tempo vendo as fotografias da viagem e ouvindo músicas.

 

O comerciante Edson Rubin, de 52 anos, estava tentando buscar uma alternativa para retornar a Ribeirão Preto, distante mais de 500 quilômetros. Ele afirmou que todos os anos passa pela mesma situação. "Desta vez ficou pior porque o retorno ficou restrito a apenas uma rodovia. Tem muito carro e pouca estrada" resumiu ele.

 

O engenheiro Mario Paris, morador de Taubaté, que estava na praia de Itamambuca, região Norte de Ubatuba, decidiu retornar com a família pelo Estado do Rio de Janeiro, fazendo um trajeto alternativo por Paraty, Lídice, Mangaratiba até atingir a via Dutra em Volta Redonda. De acordo com as informações do engenheiro o tempo de viagem seria de 6 horas para percorrer um percurso de cerca de 430 quilômetros.

 

Mario viaja com a mulher Dóris e um casal de filhos. Segundo Dóris, fica muito difícil conter os ânimos das crianças dentro do carro quando a viagem é muito longa. "O humor das crianças acaba e elas ficam estressadas", disse ela.

 

A professora Denise Chiste informou por telefone que a viagem de Ubatuba a Taubaté pela Tamoios, demorou mais de nove horas. Ela saiu de Ubatuba à uma hora da madrugada de domingo e chegou em Taubaté por volta das 10 horas da manhã.

 

O promotor público Manoel Sergio da Rocha Monteiro decidi estender o feriado até o movimento diminuir. Ele disse que pretendia retornar na tarde de domingo, mas com a interdição da rodovia Oswaldo Cruz, vai ficar com a família em Ubatuba. "São umas férias forçadas, uma vez que não estavam programadas" afirmou o promotor.

 

Manoel que é proprietário de uma casa no centro histórico de São Luiz do Paraitinga ficou indignado ao ler a reportagem publicada na edição deste domingo no Estadão. "É inacreditável o que estou vendo. Ainda não pensei no que fazer com o que sobrou de minha casa", lamentou ele.

 

(com José Alfredo Rodrigues, de O Estado de S. Paulo)

Mais conteúdo sobre:
Ubatuba litoral trânsito Tamoios Oswaldo Cruz

Encontrou algum erro? Entre em contato

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.