Motorista invade calçada e mata 5

Feirante está com CNH vencida há 2 anos e tentou fugir; detido por vizinhos, pagou fiança de R$ 800 e foi liberado

Marcelo Auler, RIO, O Estadao de S.Paulo

29 de junho de 2009 | 00h00

Cinco pessoas morreram - entre elas um bebê de 9 meses - e outras duas ficaram feridas quando a Parati, de placas BHJ-6686, dirigida pelo feirante André Leandro da Silva, de 39 anos, invadiu a calçada de uma rua em Bangu, zona oeste do Rio, durante uma festa junina na noite de sábado. Ele atropelou o grupo, destruiu um muro e derrubou um poste. Apesar de preso em flagrante ao tentar fugir, o feirante, que está com a carteira de habilitação (CNH) vencida há dois anos, pagou fiança de R$ 800 e foi liberado depois da autuação. A libertação do motorista revoltou parentes e amigos das vítimas, entre eles Renato Monsores Cavalcante, de 30 anos, há nove meses casado com Luciene Lima Wanderlei Cavalcante, de 25 anos, uma das vítimas. "Vou à Justiça para punir o responsável", prometeu, no fim da tarde de ontem, ao acompanhar o enterro da mulher, no Cemitério São Francisco Xavier, no Caju, zona portuária. No momento do acidente, pelo menos 30 pessoas participavam da festa junina, na Rua da Feira. Silva saiu do carro com cortes superficiais e, ao tentar fugir, acabou contido pelos moradores. A multidão ameaçou linchá-lo, mas ele foi mantido em um carro da Polícia Militar. Adalmir do Amaral, de 34 anos, Pedro Pontes, de 71, e Luciene morreram no local do acidente. Emanuele Vitória, de 9 meses, que estava no colo de Luciene, sofreu traumatismo craniano e múltiplas fraturas. Foi levada ao Hospital Albert Schweitzer e transferida para o Hospital Estadual Azevedo Lima, em Niterói. Ontem de manhã, teve parada cardíaca e acabou morrendo. Pedro Henrique Barbosa Pontes, de 16 anos, chegou ao Albert Schweitzer com fratura de fêmur, lesão vascular, fratura de tíbia e do cotovelo. Foi transferido em estado grave para o Hospital Municipal Salgado Filho e morreu na tarde de ontem. Ele é neto de Pedro Pontes, que morreu no local. No Albert Schweitzer foram atendidos ainda Airton Ferreira Macedo, de 46 anos, com fraturas na costela, e Rodrigo Pereira de Jesus, com ferimentos leves.Segundo parentes e amigos de Luciene, o motorista apresentava sinais de embriaguez. "Ele é conhecido na região. A vida dele é beber , usar drogas e dirigir em alta velocidade", protestava Luiz Claudio Rosa dos Santos, primo de Luciene. Débora Rodrigues, delegada de plantão na 33ª DP (Realengo), registrou o flagrante pela tentativa de fuga e por homicídio culposo e lesões corporais. Ela disse que na delegacia o feirante não aparentava sinais de estar bêbado ou drogado. Por isso, explicou, não foram pedidos exames de dosagem alcoólica ou toxicológicos. Segundo os participantes da festa, Silva alegou que havia sido fechado por outro carro. Na delegacia, orientado pelo advogado Leonardo Martins dos Santos, afirmou que só falará em juízo.

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