Constança Rezende/Estadão
Constança Rezende/Estadão

Motorista morto com Marielle estava desempregado e trabalhava fazendo bico

Anderson Pedro Gomes era casado e tinha um filho de 1 ano e 10 meses; cunhada diz que ele era 'um excelente pai'

Juliana Diógenes, O Estado de S.Paulo

15 Março 2018 | 12h17

O motorista Anderson Pedro Gomes, de 39 anos, estava desempregado e trabalhava fazendo bico quando foi assassinado dentro do carro onde estava a vereadora Marielle Franco (PSOL).

​O velório de Gomes está marcado para 13 horas na Câmara Municipal, pela entrada da rua Alcindo Guanabara. O enterro será às 16 horas no Cemitério de Inhaúma, na zona norte do Rio.

Gomes era casado com Ágatha Arnaus e tinha um filho, Arthur, de um ano e 10 meses. Julia Arnaus, irmã de Ágatha, lamentou o assassinato e disse que o motorista era "um excelente pai". "Ele era maravilhoso. Era demais. Bom pai, excelente pai", afirmou ao Estado.

Julia usou as redes sociais para protestar contra o assassinato do motorista. "Mais uma vida ceifada,arrancada ,assasinada,país de impunidade ,país que um pai de família sai de manhã pra trabalhar e não volta", escreveu. Segundo ela, o motorista era "um ser de luz amado por todos." 

"Agora sobra a família, mais um filho que cresça sem pai,mais uma mãe que enterra seu filho mais uma esposa que enterra seu marido", afirmou. "Descanse em paz grande homem! Homem de luz você é e sempre vai ser".

Crime

A vereadora, de 38 anos, que era filiada ao PSOL, foi morta a tiros na noite de ontem dentro do carro em que seguia para casa. O ataque à Marielle ocorreu na Rua Joaquim Palhares, no centro do Rio. Ela volta de um evento na Lapa, na mesma região, quando foi atingida. O motorista que dirigia o carro também morreu baleado.

O deputado estadual Marcelo Freixo (PSOL) disse na noite desta quarta-feira, 14, que o crime tem "características nítidas" de execução. Segundo o deputado, porém, nem parentes nem amigos tinham informações de que Marielle estivesse sofrendo ameaças. 

"As características são muito nítidas de execução. Queremos isso apurado o mais rápido possível", disse Freixo ainda no local do crime na noite desta quarta-feira, 14. "É completamente inadmissível. Uma pessoa cheia de vida, cheia de gás, uma pessoa fundamental para o Rio de Janeiro, brutalmente assassinada. É um crime contra a democracia, contra todos nós, não podemos deixar que isso se naturalize", disse Freixo.

Reunião emergencial

Em uma reunião de emergência convocada na manhã desta quarta-feira, 15, para discutir a questão da segurança no Rio de Janeiro, após o assassinato da vereadora carioca Marielle Franco (PSOL), o presidente Michel Temer disse que determinou que o ministro da Segurança, Raul Jungmann, vá ao Rio acompanhar pessoalmente as investigações, "que queremos solucionar no menor prazo possível". Temer afirmou que o assassinato da vereadora e de seu motorista Anderson Gomes "é inaceitável, inadmissível, como todos os demais assassinatos que ocorreram no Rio". A fala do presidente foi divulgada há pouco nas redes sociais.

+ Freixo aponta "características de execução" em morte de Marielle

Temer defendeu a intervenção federal feita no Rio de Janeiro, que completa um mês amanhã, e afirmou que a medida foi decretada "para acabar com banditismo desenfreado que se instalou por conta das organizações criminosas". 

Perfil

A vereadora ficou conhecida como militante do movimento negro e de direitos humanos, com denúncias recentes sobre a violência policial contra moradores de favelas no Rio. 

Marielle foi a quinta vereadora mais votada nas eleições municipais de 2016. Na Câmara Municipal, ela integrava a comissão que acompanhava a intervenção, como forma de coibir abusos das Forças Armadas e da polícia.

Há oito dias, ela compartilhou denúncia de moradores de Acari, favela na zona norte carioca, sobre o suposto homicídio de dois jovens por policiais, além de ameaças por PMs.

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