Motorista que atropelou ciclistas em Porto Alegre se diz 'ameaçado'

Tanto os ciclistas quanto o motorista se acusam mutuamente pelo início das agressões

Elder Ogliari, O Estado de S. Paulo

28 de fevereiro de 2011 | 18h50

PORTO ALEGRE - O motorista que atropelou pelo menos 12 ciclistas na sexta-feira disse que se sentiu ameaçado e, por isso, tentou abrir caminho em meio ao grupo para proteger a si mesmo e ao filho de 15 anos, que estava no carro, de possíveis agressões. A explicação foi dada em rápida entrevista coletiva aos jornalistas, depois de um depoimento ao delegado de Crimes de Trânsito, Gilberto Montenegro, nesta segunda-feira, em Porto Alegre.

 

O incidente ocorreu na sexta-feira à noite na Rua José do Patrocínio, no bairro Cidade Baixa. Mais de cem integrantes do movimento Massa Crítica faziam um passeio para estimular o uso de bicicletas no trânsito. Alguns deles, da parte retardatária do grupo, teriam discutido com o motorista Ricardo Neis, bancário, de 47 anos, que abriu caminho à força, acelerando seu Golf preto e atropelando alguns ciclistas até ultrapassar todos e seguir para a zona leste da cidade. Os ciclistas feridos foram atendidos no Hospital de Pronto-Socorro e liberados na mesma noite.

 

Tanto os ciclistas quanto o motorista se acusam mutuamente pelo início das agressões. A defesa do bancário vai alegar que as imagens que foram para a internet e percorreram o mundo com cenas do atropelamento não mostram os primeiros momentos do conflito, quando o carro teria sido cercado e parcialmente depredado.

 

Os participantes do passeio afirmam que se limitaram a sinalizar e pedir que o motorista se mantivesse atrás do grupo por mais algumas quadras. O bancário sustenta que vários ciclistas cercaram e bateram insistentemente no carro. "Houve uma brecha e eu passei alguns deles", narrou. "Eles se enfureceram e quebraram o espelho, deram vários socos, jogaram as bicicletas por cima (do carro)", prosseguiu. "Naquela situação eu tinha que sair o mais rapidamente possível para evitar o linchamento."

 

O delegado Montenegro não deu entrevistas e avisou que só vai falar no caso ao final do inquérito, em 30 dias. As hipóteses para o caso vão de tentativa de homicídio qualificado, como querem alguns ciclistas, a legítima defesa, como vai alegar o advogado do bancário. O motorista aguarda a conclusão das investigações em liberdade.

 

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