Motorista que estava com suspeito de matar Glauco se entrega

De acordo com advogado, jovem não teria participado do crime e foi sequestrado pelo suposto assassino

Josmar Josino - Jornal da Tarde,

14 de março de 2010 | 17h00

O universitário Felipe de Oliveira Iasi, de 23 anos, motorista do Gol cinza usado para levar o suspeito Carlos Eduardo Sundfeld Nunes, de 24 anos, à casa do cartunista Glauco Villas Boas, de 53 anos, se apresentou à Polícia Civil às 16h35 deste domingo, 14. Ele estava acompanhado de seu advogado, Cássio Paoletti.

 

Segundo o defensor, Felipe não participou de nenhum crime e foi sequestrado pelo suposto assassino antes que ele matasse o cartunista e seu filho Raoni, na madrugada de sexta-feira, 12. O advogado também disse que Carlos Eduardo teria passado na casa de seu cliente e o obrigado a levá-lo até Osasco.

 

O jovem estava transtornado e afirmava ser a reencarnação de Jesus Cristo. Ele insistia em dizer que precisava ir até a casa do cartunista, pois tinha a intenção de levar Glauco até o lugar em que morava com a mãe. Ele queria que o cartunista confirmasse para sua mãe que ele era Jesus Cristo.

 

De acordo com a versão do defensor, Carlos Eduardo chegou à casa de Glauco num estado visivelmente abalado. Ele obrigou Bia, mulher de Glauco, a filha e o cartunista a se sentarem no sofá. Nesse momento, o filho Raoni chegou e também teve de sentar com a família.

 

Apavorado, Felipe conseguiu correr, entrou no carro e tentou dar a partida no veículo. Quando o carro pegou, ele arrancou e bateu a traseira em uma lata de lixo. Ele disse ao advogado que nem chegou a ouvir os disparos e nega a versão de que teria dado fuga a Carlos Eduardo. Ele contou também que chegou a avisar a própria mãe que tinha sido sequestrado. De acordo com o defensor, Felipe não aparenta usar drogas. Assim que soube da tragédia, o jovem teria procurado a polícia.

 

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O delegado Archimedes Cassão Veras Junior começou a ouvir o depoimento de Felipe às 16h40. O jovem confirmou que Carlos Eduardo teria ligado para um parente do cartunista ontem à tarde, cujo nome o delegado preferiu manter em anonimato, e que essa pessoa, ao atender, desligou o aparelho imediatamente. Segundo ele, a chamada não teve nenhum tom de ameaça.

 

O jovem também contou que conhecia o suspeito há dois meses. Na sexta-feira, 12,  Felipe recebeu um telefonema de Carlos Eduardo para que se encontrassem em um bar em Pinheiros, sendo que mais tarde saíriam para outro lugar com o carro. Felipe achou que tinha sido chamado apenas para um passeio e que não tinha idéia de que iriam para a casa do cartunista.  Logo que entraram no carro, o suspeito sacou a arma e encostou-a do lado direito do corpo de Felipe, obrigando-o a ir até a casa do cartunista. Felipe disse que não sabia quem era Glauco e nem conhecia a família dele.

 

Assim que chegaram em Osasco, Carlos Eduardo teria rendido a enteada do cartunista, entrado na casa e mandado chamar Bia, esposa de Glauco, que desceu logo em seguida. Nesse instante, o suspeito falava coisas desconexas. Glauco apareceu e tentou acalmá-lo. Pouco depois, o filho Raoni chegou - acompanhado de uma moça - e recomeçaram as discusssões. Esse foi o momento em que Felipe teria conseguido fugir. Ele disse que ainda viu Glauco sendo agredido, mas correu e entrou no carro.

 

Felipe afirma não ter ideia se o crime foi premeditado, se Carlos Eduardo teve um surto psicótico ou se foi abuso de drogas.

 

 

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