Motoristas ameaçam greve nesta 2ªF em São Paulo

Motoristas de ônibus ameaçam greve geral do sistema a partir desta segunda-feira. Segundo o presidente do sindicato, Edivaldo Santiago, a paralisação - que seria decidida em assembléia na noite deste domingo - é um protesto contra as empresas do setor e a São Paulo Transporte (SPTrans) por conta de atrasos no pagamento dos salários, de entrega de tíquetes-refeição e a falta de depósito de fundo de garantia por parte das empresas.Às vésperas do início da licitação para o novo sistema de transporte coletivo na cidade, a paralisação, caso venha a ocorrer, será a segunda queda-de-braço a ser enfrentada pelo secretário dos Transportes, Jilmar Tatto, em uma semana.Além do sindicato, que sempre se declarou contra o novo sistema, a luta deverá estender-se até o Tribunal de Contas do Município (TCM). Na sexta-feira, o TCM apontou irregularidades na licitação e pediu a suspensão do processo. Tatto acusou o órgão de tomar a medida em "conluio" com as empresas que hoje exploram o sistema de ônibus e disse que a licitação está mantida.Nesta segunda, ao meio-dia, encerra-se o prazo para as empresas entregarem os envelopes com as propostas para o sistema estrutural. Até sexta-feira, nenhuma das empresas ligadas ao Transurb, sindicato patronal, havia retirado as propostas.De acordo com o secretário, entretanto, viações de fora da capital paulista retiraram envelopes para os oito lotes em que a cidade está dividida."Não ficou um lote. Se as empresas queriam atrapalhar a licitação com a recusa de participar, quebraram a cara", afirmou Tatto.Em princípio, os envelopes devem ser abertos ainda nesta segunda e começará a correr o prazo para recursos. A expectativa de Tatto é concluir o processo em dez dias.Nesta segunda, secretário pretende tomar uma decisão sobre o andamento da licitação, mas descartou a adoção de mais um contrato emergencial, a não ser de curto prazo, até a conclusão da licitação.Com relação à ameaça de greve dos motoristas, Tatto afirmou que se trata de uma tentativa da categoria de, juntamente com os empresários, impedir a criação de um novo sistema de transporte coletivo. "O sindicato está promovendo greves em empresas que não estão com o salário atrasado. Na paralisação das América do Sul e Cidade Tiradentes, os tíquetes-refeição não foram distribuídos porque a greve começou antes", criticou.O novo sistema, cujo início de funcionamento está previsto para julho, prevê duas grandes malhas, a estrutural e a local. As empresas poderão assumir até três lotes por dez anos. Haverá três tipos de tarifa de acordo com o itinerário, com uso de bilhete eletrônico. Foi proposto ainda o uso de microônibus no lugar de peruas e a criação de cooperativas para substituir perueiros autônomos.

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